A construção civil brasileira empregou 2,5 milhões de pessoas em 2024, segundo dados da Pesquisa Anual da Indústria da Construção divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor era composto por 191 mil empresas e distribuiu R$ 95,6 bilhões em salários aos trabalhadores, com remuneração média equivalente a 2,1 salários mínimos.
O levantamento reúne informações de empresas ligadas à construção de edifícios, obras de infraestrutura e serviços especializados para construção, como pintura e instalações elétricas. De acordo com o IBGE, a edição de 2024 adotou uma nova metodologia, o que impede comparações diretas com anos anteriores.
Construção de edifícios lidera geração de empregos
As empresas voltadas à construção de edifícios concentraram a maior parcela dos empregos do setor, com 894,8 mil trabalhadores, o equivalente a 35,7% do total de ocupados.
Os serviços especializados responderam por 34,4% da mão de obra, enquanto as obras de infraestrutura empregaram 29,9% dos trabalhadores.
Apesar de terem menor participação no total de ocupados, as empresas de infraestrutura registraram a maior média de funcionários por empreendimento, com 39 trabalhadores. Nas empresas de construção de edifícios, a média foi de 13 empregados, enquanto os serviços especializados contaram com oito funcionários por empresa.
Infraestrutura paga os maiores salários
Entre os segmentos analisados, as obras de infraestrutura apresentaram a maior remuneração média, equivalente a 2,6 salários mínimos.
As empresas de construção de edifícios pagaram, em média, 1,9 salário mínimo por trabalhador. Já os serviços especializados registraram remuneração média de 1,8 salário mínimo. Em 2024, o salário mínimo nacional era de R$ 1.412.
Valor das obras superou R$ 522 bilhões
O valor total de incorporações, obras e serviços realizados pela indústria da construção alcançou R$ 522,5 bilhões em 2024.
- Infraestrutura: R$ 200,9 bilhões;
- Construção de edifícios: R$ 198,9 bilhões;
- Serviços especializados: R$ 122,8 bilhões.
Com base nesses dados, o IBGE calculou o indicador RC8, que mede a concentração de mercado entre as oito maiores empresas do setor. O índice ficou em 3,1%, apontando baixa concentração e ausência de monopólios relevantes.
Rodovias e obras urbanas lideram entregas
As obras de rodovias, ferrovias, intervenções urbanas e obras de arte especiais responderam por 22,8% do valor total das entregas realizadas pelo setor.
Na sequência aparecem as obras residenciais, com 22,2%, e os serviços especializados para construção, com 19,2%.
Também tiveram participação relevante as obras de infraestrutura para energia, telecomunicações, abastecimento de água, esgoto e transporte por dutos, com 12,8%, além das edificações industriais, comerciais e outras construções não residenciais, que representaram 10,7% do total.
Mão de obra é o principal custo das empresas
Os gastos com mão de obra representaram 30,7% dos custos totais das empresas da construção em 2024, sendo a principal despesa do setor.
Em seguida aparecem os custos de consumo intermediário, que incluem despesas operacionais como combustíveis, manutenção, aluguel de máquinas e contratação de serviços terceirizados, com participação de 22,5%.
Os materiais de construção responderam por 22,3% dos custos. Já impostos, taxas, despesas financeiras, depreciação e gastos com terrenos somaram 14,7%, enquanto obras e serviços contratados de terceiros representaram 9,7%.
Setor público respondeu por um terço da demanda
Segundo o IBGE, o setor público foi responsável por 33% da demanda por obras em 2024, enquanto a iniciativa privada respondeu pelos 67% restantes.
Nas obras de infraestrutura, a participação governamental alcançou 48,2% da demanda. Já na construção de edifícios, o percentual foi de 22,9%, enquanto nos serviços especializados ficou em 19,5%.
Para o analista do IBGE Marcelo Miranda Freire de Melo, os números evidenciam a importância do poder público para a atividade da construção civil, especialmente nos projetos de infraestrutura, onde quase metade da demanda tem origem governamental.
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