O cenário para o empresariado brasileiro em 2025 traz um contraste marcante: enquanto cresce a visão de que a economia do país está piorando, a confiança no desempenho da própria empresa segue relativamente estável. O resultado é o que especialistas chamam de “otimismo seletivo”, que depende menos do ambiente econômico geral e mais da crença na capacidade de gestão e adaptação de cada dono de negócio.
Essa é a principal conclusão da pesquisa “Gestão e confiança do empresário”, feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas.
Segundo o levantamento, 59% dos empresários ainda acreditam que o seu negócio vai crescer nos próximos seis meses — embora esse número represente uma queda de 10 pontos percentuais em comparação com 2024.
Do lado externo, porém, a visão é bem diferente: apenas 39% se dizem confiantes ou muito confiantes na economia brasileira, enquanto 30% se declaram pessimistas — um aumento de 8 pontos em relação ao ano anterior. Para metade dos entrevistados, a situação econômica do país piorou ou piorou muito nos últimos seis meses.
Confiança está voltada para dentro da empresa
Os dados mostram que o empresário passou a separar claramente o destino da sua atividade do desempenho do Brasil. Entre os que acreditam no crescimento do próprio negócio, 45% atribuem essa confiança ao seu próprio empenho, 33% à qualidade dos produtos ou serviços oferecidos e 27% a uma expectativa de melhora ao longo do tempo.
Um ponto que chama a atenção é o baixo índice de quem aposta em mudanças mais profundas: apenas 18% afirmam estar investindo para tornar a gestão mais profissional. Isso significa que a confiança vem muito mais do esforço pessoal e da resiliência do empreendedor do que de estratégias estruturadas para crescer. Na prática, a maioria segue pensando que vai conseguir “dar conta” mesmo diante das dificuldades.
Cautela define as decisões
Mesmo com essa confiança declarada, o comportamento mostra muita prudência. A pesquisa revela que 61% dos empresários não pretendem contratar empréstimos nos próximos três meses, e só 12% cogitam buscar crédito. A postura é de defesa, com foco em manter o dinheiro em caixa e evitar riscos.
Essa cautela aparece também nos números do dia a dia: no primeiro semestre do ano, 45% das empresas tiveram que cortar gastos, 25% fecharam meses seguidos com prejuízo, 19% ficaram com dívidas atrasadas e 15% precisaram demitir funcionários. Ou seja, a crença no próprio negócio convive com limitações reais de dinheiro e de capacidade de investir.
Resiliência mesmo diante dos obstáculos
Para quem está pessimista, os motivos são claros: 54% citam a situação política e econômica do país, 38% apontam vendas baixas, outros 38% mencionam as dificuldades para abrir e manter uma empresa no Brasil, e 29% dizem não ter recursos para investir. Questões como carga de impostos alta, custos com funcionários e dificuldade para conseguir crédito continuam no topo das preocupações.
Mesmo assim, mais da metade dos negócios registrou resultados positivos no primeiro semestre: 51% tiveram aumento nas vendas ou no faturamento, 48% conseguiram aplicar recursos para melhorar a atividade e 34% formaram alguma reserva financeira.
O perfil que se destaca é o de um empresário mais prático e realista. Não há euforia nem confiança geralizada, mas sim uma aposta concentrada no que está sob o seu controle: a operação, o atendimento ao cliente e os ajustes internos.
Chegando ao segundo semestre de 2025, o quadro é claro: o empresário confia menos no país, mas continua apostando na própria capacidade de resistir, se adaptar e seguir em frente. É uma confiança sustentada mais pela resiliência do que pelo ambiente — e que ajuda a entender por que tantos negócios seguem funcionando mesmo sob tanta pressão.
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