O Banco Central (BC) iniciou nesta terça-feira (30) a implementação da duplicata escritural, um novo modelo digital que promete transformar o mercado de crédito entre empresas no Brasil.
A ferramenta está em fase de testes e tem adoção prevista de forma gradual até junho de 2028. A proposta é substituir a duplicata tradicional, utilizada em vendas a prazo entre pessoas jurídicas, por um sistema totalmente eletrônico.
Com a mudança, todo o ciclo do título — desde a emissão até o pagamento, negociação ou utilização como garantia — passa a ser registrado em ambientes digitais autorizados pelo Banco Central.
Funcionamento do sistema
A duplicata representa uma dívida de uma empresa compradora junto a uma empresa vendedora em operações comerciais com pagamento futuro.
No modelo tradicional, parte desses registros era feita de forma física ou descentralizada, o que aumentava riscos de inconsistências, duplicidade de recebíveis e dificuldades de comprovação.
Com a digitalização, os dados passam a ser centralizados em sistemas eletrônicos, permitindo maior rastreabilidade e controle do histórico de cada operação.
Entre os principais avanços esperados estão mais transparência, redução de fraudes e maior segurança para instituições financeiras e empresas.
Impacto para empresas
Para pequenas e médias empresas (PMEs), a duplicata escritural pode ampliar o acesso ao crédito, facilitando a antecipação de recebíveis e o uso desses ativos como garantia em operações financeiras.
Instituições financeiras também devem se beneficiar da mudança, com maior capacidade de análise sobre a origem e validade dos créditos negociados.
Dados do setor
- R$ 11 trilhões: volume estimado do mercado de duplicatas
- Cerca de 2 milhões: empresas emissoras no país
- 18 mil: grandes empresas consideradas sacadoras
Implantação gradual
A adoção será obrigatória de forma escalonada, após período de testes do sistema.
- Grandes empresas: obrigatoriedade a partir de junho de 2027
- Médias empresas: até dezembro de 2027
- Pequenas empresas: a partir de junho de 2028
Segurança e desafios
Segundo o Banco Central, o novo modelo reduz riscos como a negociação duplicada de créditos e melhora a verificação da existência das dívidas.
Apesar disso, especialistas destacam que a tecnologia não elimina a necessidade de controles internos e gestão financeira adequada por parte das empresas.
A expectativa é que a duplicata escritural modernize o ambiente de crédito no país, aumentando a transparência e a eficiência nas relações comerciais.
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