TJ do Rio Anula Eleição de Douglas Ruas na Alerj e Determina Retotalização

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro anulou a eleição que escolheu Douglas Ruas como presidente da Alerj, exigindo nova contagem dos votos.

A presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargadora Suely Lopes Magalhães, anulou nesta quinta-feira (26) a eleição que havia escolhido o deputado Douglas Ruas (PL) como presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Segundo a magistrada, a votação só poderia ocorrer após a retotalização dos votos das Eleições de 2022, conforme determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que cassou o mandato do então presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar.

A retotalização, marcada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para terça-feira (31), visa contabilizar os votos sem considerar aqueles recebidos por Bacellar.

Composição oficial

Suely Magalhães afirmou que a eleição só poderia ser iniciada após a definição oficial do colégio eleitoral da Alerj, garantindo legitimidade ao processo. “A cronologia lógica é clara: primeiro retotalizar os votos para assegurar a composição legítima da Casa e, em seguida, deflagrar a eleição”, explicou.

A desembargadora destacou que a mesa diretora da Alerj havia reconhecido parcialmente a decisão do TSE, admitindo apenas a vacância da presidência, sem realizar a retotalização que poderia alterar a composição do Parlamento.

O processo eleitoral iniciado sem cumprir integralmente a decisão do TSE interfere tanto na escolha do novo presidente da Alerj quanto na definição do futuro governador do Estado.

Contexto político

Desde maio de 2025, o Rio de Janeiro estava sem vice-governador após a renúncia de Thiago Pampolha para assumir o Tribunal de Contas do Estado. Isso colocou Bacellar como primeiro na linha sucessória, mas ele foi preso em dezembro de 2025 pela Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, e afastado da presidência por ordem do Supremo Tribunal Federal, mesmo após ser libertado.

Com a interinidade, o deputado Guilherme Delaroli (PL) assumiu a presidência da Alerj, mas sem integrar a linha sucessória. A renúncia de Cláudio Castro, na segunda-feira (23), abriu caminho para eleições indiretas após sua inelegibilidade confirmada pelo TSE. A decisão também tornou Bacellar inelegível e determinou eleições indiretas para o governo do Estado, atualmente comandado interinamente pelo presidente do TJ, Ricardo Couto de Castro.

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