Mulheres retomam estudos e mostram como voltar à faculdade após anos longe da sala de aula

O número de mulheres nas universidades brasileiras continua crescendo. Hoje, elas representam 59,1% das matrículas no ensino superior, segundo o Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Ao mesmo tempo, um novo movimento ganha força no país: profissionais adultas que retornam aos estudos para mudar de carreira, aumentar a renda ou concluir uma formação interrompida no passado.

Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, histórias de brasileiras que decidiram voltar à faculdade mostram que, apesar dos desafios de conciliar trabalho, casa e família, retomar a formação é possível — especialmente com a expansão do ensino digital e de modelos acadêmicos mais flexíveis.

Mulheres lideram retorno aos estudos no Brasil

Julia russo

De acordo com dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE, 20,7% das mulheres adultas possuem ensino superior completo no Brasil. Entre os homens, a proporção é menor, de 15,8%.

Para especialistas em educação, esse avanço está ligado a mudanças no mercado de trabalho e à busca por maior autonomia financeira.

Segundo o professor Tiago Zanolla, especialista em formação profissional, muitas mulheres interromperam os estudos por fatores como maternidade ou dificuldades financeiras e agora procuram cursos que permitam concluir a graduação em menos tempo.

“Grande parte dessas profissionais já tem experiência, mas precisa do diploma para conquistar novas oportunidades ou crescer na carreira”, explica.

Histórias de mulheres que voltaram a estudar

A trajetória de Mara Silva, de 38 anos, é um exemplo desse movimento. Ela interrompeu os estudos ainda jovem após engravidar da primeira filha. Anos depois, concluiu o ensino médio e iniciou uma graduação, mas precisou trancar o curso durante a pandemia.

Em 2024, encontrou no ensino digital a chance de retomar a formação. Hoje estuda marketing digital e afirma que a flexibilidade foi essencial.

“Consigo estudar no meu horário e organizar a rotina de acordo com o trabalho e a casa”, conta.

Outra história é a de Ivanir Aparecida Machado, de 54 anos, que ficou mais de duas décadas afastada dos estudos.

Mesmo enfrentando dificuldades iniciais para retomar o ritmo, ela afirma que a decisão valeu a pena.

“Estudar é uma das coisas mais importantes na vida de qualquer pessoa”, afirma.

Julia Russo, de 36 anos, conseguiu retomar o projeto de concluir a faculdade depois de migrar para o ensino a distância.

Para ela, além das oportunidades profissionais, o diploma também representa reconhecimento.

“A internet oferece muito conteúdo, mas o diploma certifica que temos conhecimento”, diz.

5 dicas para voltar a estudar após anos

Com base nas experiências dessas alunas, especialistas e estudantes destacam cinco estratégias que podem ajudar quem deseja retomar a vida acadêmica.

1. Tenha um propósito claro

Definir por que voltar a estudar ajuda a manter a motivação, especialmente nos momentos de maior cansaço.

2. Escolha um modelo de ensino flexível

Cursos que permitem estudar em horários adaptáveis facilitam a rotina de quem precisa conciliar trabalho, família e formação.

3. Retome o ritmo gradualmente

Após anos longe dos estudos, o ideal é começar com metas pequenas e avançar passo a passo.

4. Busque apoio

Conversar com familiares e colegas sobre o projeto de voltar a estudar ajuda a organizar a rotina e dividir responsabilidades.

5. Valorize cada conquista

Cada disciplina concluída representa um avanço importante na jornada até o diploma.

Educação como estratégia de mudança de carreira

Especialistas apontam que o retorno de profissionais adultas à universidade também traz benefícios para o mercado de trabalho.

Além de ampliar competências, a formação acadêmica pode abrir portas para novas áreas de atuação e aumentar a competitividade profissional.

Com a expansão do ensino digital e de formatos mais curtos de graduação, voltar a estudar deixou de ser um objetivo distante para muitas brasileiras e passou a ser uma estratégia concreta para transformar a carreira.

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