Líderes convocam união global pela democracia diante de ameaças

Presidente Lula defende ação conjunta de governos e sociedade para proteger a democracia em evento internacional no Chile.

Durante encontro de alto nível em Santiago, no Chile, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a defesa da democracia vai além da atuação de governos eleitos e exige o envolvimento ativo da sociedade civil, da mídia, do setor privado e das instituições. A reunião, convocada pelo presidente chileno Gabriel Boric, reuniu líderes da Colômbia, Espanha e Uruguai.

Lula destacou a urgência de responder ao avanço do extremismo. “Precisamos atuar juntos. A defesa da democracia requer participação ativa da academia, dos parlamentos, da sociedade civil, da mídia e do setor privado”, afirmou. O evento, intitulado Democracia Sempre, também contou com debates com representantes acadêmicos e de entidades civis.

Os participantes discutiram democracia, multilateralismo, desigualdades sociais e o impacto das tecnologias digitais na disseminação de desinformação. Lula alertou que “a democracia liberal não tem conseguido responder aos desafios atuais” e defendeu o fortalecimento institucional e reformas profundas para enfrentar a descrença popular nos sistemas políticos.

Os líderes concordaram na necessidade de regulamentação das plataformas digitais. “A chave para um debate público livre é a transparência e a governança digital. Liberdade de expressão não pode justificar crimes ou ataques ao Estado democrático”, enfatizou Lula.

O grupo também convocou a sociedade organizada a construir propostas de reformas estruturais. Lula defendeu a justiça tributária e criticou a ampliação de privilégios ao capital em detrimento de direitos sociais. “Não há justiça em um sistema que amplia benefícios para o grande capital e corta direitos sociais”, disse.

Ele alertou ainda para os impactos das desigualdades de raça, gênero e sociais sobre a estabilidade democrática, e ressaltou que a crise ambiental intensifica essas exclusões. Segundo Lula, um novo modelo de desenvolvimento é essencial para proteger as democracias.

O evento ocorre em um contexto global tenso, marcado por políticas protecionistas de líderes como o norte-americano Donald Trump. A reunião é continuidade do encontro anterior realizado durante a Assembleia Geral da ONU em 2024, e uma nova edição está prevista para setembro deste ano, reunindo novos líderes globais em Nova York.

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