O julgamento de dois réus acusados pela morte da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, será retomado nesta terça-feira (14), no período da manhã, em Salvador.
O júri popular ocorre no Fórum Ruy Barbosa e teve início na segunda-feira (13), após ter sido adiado anteriormente. Os réus Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos respondem pelo caso, que ganhou grande repercussão nacional.
Na abertura da sessão, foi realizado o sorteio dos sete jurados responsáveis por compor o conselho de sentença. Eles terão a função de avaliar as provas apresentadas e decidir pela condenação ou absolvição dos acusados.
Durante a etapa inicial, foram ouvidas testemunhas do processo e o interrogatório de Arielson da Conceição Santos. O outro réu, Marílio dos Santos, não compareceu por estar foragido.
Para a continuidade do julgamento, está prevista a fase de debates, quando o Ministério Público e a assistência de acusação apresentam seus argumentos, seguidos pela manifestação da defesa. A sessão é conduzida pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos.
Os réus respondem por homicídio qualificado, com acusações que incluem motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso de arma de uso restrito. Arielson também é acusado de roubo.
Outros três denunciados pelo Ministério Público da Bahia ainda não têm data definida para julgamento.
Contexto do crime
Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, aos 72 anos, dentro de sua residência no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Segundo a denúncia, homens armados invadiram a comunidade, mantiveram familiares reféns e executaram a vítima com diversos disparos.
Liderança reconhecida na Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, ela atuava na defesa de territórios tradicionais, no combate ao racismo e na cobrança por justiça pela morte do filho, também liderança quilombola, assassinado anos antes.
Apesar de relatar ameaças constantes, a vítima integrava um programa de proteção a defensores de direitos humanos. O caso motivou a mudança de foro para Salvador, decisão tomada para garantir maior imparcialidade ao julgamento.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.