Inquérito é aberto por Nunes Marques contra ministro do STJ acusado de assédio

Decisão do STF autoriza investigação formal pela Polícia Federal sobre denúncias envolvendo o ministro afastado Marco Buzzi.

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (14) a abertura de um inquérito para apurar denúncias de assédio sexual contra o ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi.

Com a decisão, a Polícia Federal passa a conduzir formalmente a investigação, com prazo inicial de 60 dias para conclusão dos trabalhos.

A primeira denúncia foi apresentada por uma jovem de 18 anos, que afirmou ter sido vítima de importunação sexual durante um banho de mar em Balneário Camboriú (SC). Segundo o relato, ela estava hospedada na residência do magistrado, acompanhada dos pais, quando o episódio teria ocorrido.

Após a repercussão do caso, ao menos outras duas mulheres procuraram o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para relatar situações semelhantes, desta vez relacionadas ao ambiente profissional.

Em fevereiro, o plenário do STJ decidiu pelo afastamento cautelar de Marco Buzzi, enquanto uma sindicância interna segue em andamento. O procedimento é conduzido por três ministros relatores e teve seu prazo prorrogado no mês anterior, com previsão de encerramento nesta semana.

A defesa do magistrado chegou a solicitar ao STF a suspensão da sindicância, mas o pedido foi negado por Nunes Marques.

No âmbito criminal, o caso permanece sob análise do STF, devido ao foro privilegiado do ministro. A Corte avalia a denúncia apresentada pela jovem, que já prestou depoimentos tanto à polícia quanto ao CNJ.

Defesa

Desde o surgimento das acusações, Marco Buzzi nega qualquer irregularidade. Em nota divulgada nesta terça-feira (14), seus advogados afirmaram que o ministro é alvo de uma “campanha sistemática de acusações veiculadas na imprensa”.

O texto sustenta que decisões desfavoráveis nesta fase inicial não alteram os fatos e reforça que o magistrado não cometeu atos impróprios ao longo de sua carreira. A defesa também criticou o que classificou como “linchamento moral”, destacando a trajetória profissional do ministro, com mais de quatro décadas de atuação.

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