A Polícia Federal recusou a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do conglomerado Banco Master. A decisão foi tomada após investigadores apontarem inconsistências entre as informações fornecidas pelo empresário e os elementos já reunidos nas apurações iniciadas em 2024.
O inquérito conduzido pela PF investiga a emissão de títulos de crédito financeiro sem cobertura adequada, em um caso que apura supostas fraudes bilionárias contra o Sistema Financeiro Nacional. De acordo com fontes ligadas à investigação, os dados apresentados por Vorcaro não corresponderam às provas e indícios já coletados ao longo das diligências.
A decisão da corporação já foi comunicada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria do caso. Apesar da negativa, a possibilidade de novas negociações não está descartada, caso o banqueiro apresente informações consideradas relevantes para o andamento das investigações.
Enquanto isso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) continua analisando a proposta de colaboração apresentada pela defesa do empresário. O Banco Master teve liquidação extrajudicial oficializada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Vorcaro foi preso preventivamente em novembro do ano passado durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. Na ocasião, permaneceu detido por dez dias antes de ser liberado por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
O banqueiro voltou a ser preso em março deste ano durante a terceira fase da operação. Desde então, permanecia em uma sala especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, em meio às negociações para um possível acordo de colaboração.
Com o avanço das divergências nas tratativas, ele foi transferido nesta semana para uma cela da superintendência da PF. Existe ainda a possibilidade de retorno à Penitenciária Federal, onde poderá cumprir medidas mais rígidas de custódia.
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