Idhm revela que futuro do Brasil depende de jovens negros, aponta estudo do Pnud

Estudo do Pnud mostra que a redução das desigualdades e o avanço do desenvolvimento humano no Brasil passam pela inclusão da população negra, especialmente dos jovens. Dados do Radar IDHM evidenciam diferenças persistentes entre grupos raciais no país.

Um novo levantamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) reforça que o avanço do Brasil no desenvolvimento humano está diretamente ligado à inclusão da população negra, especialmente dos jovens. A análise faz parte do estudo Radar IDHM, divulgado nesta terça-feira (26), que atualiza dados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal até 2024.

Segundo a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud no Brasil, Betina Barbosa, o país precisa incorporar essa parcela da população às estratégias de crescimento.

“É fundamental colocar essas pessoas dentro da equação do desenvolvimento. Não por romantismo, mas pela viabilidade do país. Sem colocar essas pessoas nessa equação do desenvolvimento, o país não se viabiliza”.

O estudo revela que, embora o Brasil tenha registrado melhora geral no IDHM ao longo da série histórica iniciada em 2012, as desigualdades raciais permanecem significativas. O índice da população branca passou de 0,804 em 2012 para 0,851 em 2024, enquanto o da população negra avançou de 0,694 para 0,774 no mesmo período.

O Pnud classifica o desenvolvimento humano em uma escala de 0 a 1, sendo considerado muito alto acima de 0,800. O Brasil, que há três décadas estava no grupo de baixo desenvolvimento, alcançou em 2024 o índice geral de 0,805.

Apesar da evolução, o levantamento aponta que o ritmo de crescimento não elimina o distanciamento entre os grupos. Para Betina Barbosa, o desafio está em transformar esse cenário por meio de políticas públicas mais inclusivas.

“As desigualdades brasileiras ainda são regionais, mas o que os dados mostram é que todos nós melhoramos, melhoramos os brancos e melhoramos os negros, mas o tamanho do fosso é o mesmo”.

Ela também destaca que a maior parte da população negra está concentrada em regiões como o Norte e o Nordeste, o que reforça a necessidade de políticas específicas para reduzir desigualdades regionais e sociais.

O estudo também foi apresentado em coletiva em Brasília e contou com a participação do chefe do Pnud no Brasil, Claudio Providas, que destacou os impactos das mudanças demográficas e do mercado de trabalho sobre as novas gerações.

“Como fechar essa brecha entre as capacidades dos brasileiros do presente e do futuro e o mercado do futuro?”

Segundo o relatório, a educação e a saúde foram fatores decisivos para o avanço do IDHM da população negra entre 2012 e 2024. No entanto, a geração de renda ainda aparece como principal desafio para o próximo ciclo de desenvolvimento.

O IDHM ajustado pela desigualdade também evidencia contrastes importantes. Em 2012, o índice era de 0,566, considerado baixo. Em 2024, chegou a 0,641, ainda na faixa de desenvolvimento médio, indicando que a média nacional esconde disparidades internas relevantes.

O levantamento utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com a Fundação João Pinheiro.

Entre os destaques, o estudo aponta diferenças expressivas em indicadores como renda e expectativa de vida, reforçando que o impacto do desenvolvimento não é homogêneo entre diferentes grupos sociais no país.

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