Câmara instala comissão para analisar PEC do fim da escala 6×1 e mudanças no trabalho

A Câmara dos Deputados instalou uma comissão especial para analisar propostas que reduzem a jornada e extinguem a escala 6x1. O colegiado terá até 40 sessões para emitir parecer sobre as mudanças no modelo de trabalho no país.

A Câmara dos Deputados instalou nesta quarta-feira (29) a comissão especial responsável por analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que trata da redução da jornada de trabalho no Brasil e prevê o fim da escala 6×1.

O deputado Alencar Santana (PT-SP) foi escolhido presidente do colegiado com 28 votos favoráveis e três votos em branco. A relatoria ficará sob responsabilidade de Leo Prates (Republicanos-BA).

O grupo vai avaliar duas propostas principais de redução da jornada semanal de trabalho. A primeira, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), propõe a redução das atuais 44 horas para 36 horas semanais, com transição gradual ao longo de dez anos.

A segunda proposta, apensada à PEC (8/25), de autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP), sugere uma jornada de quatro dias de trabalho por semana, limitada a 36 horas no total.

Na prática, as duas iniciativas eliminam a escala de seis dias de trabalho para um de descanso (6×1). Caso avancem na comissão especial, as propostas seguirão para votação no plenário da Câmara.

Debate sobre mudanças no trabalho

Ao assumir a presidência da comissão, Alencar Santana afirmou que o debate será amplo e destacou mudanças históricas nas relações de trabalho ao longo do tempo, impulsionadas por disputas sociais e avanços de direitos.

Ele lembrou períodos históricos marcados por condições mais precárias e citou a evolução de garantias trabalhistas ao longo dos séculos, incluindo a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e de direitos como salário mínimo, férias e décimo terceiro salário.

Segundo o parlamentar, essas mudanças sempre enfrentaram resistência, mas resultaram em avanços progressivos nas condições de vida dos trabalhadores.

O relator Leo Prates defendeu a redução da jornada como uma medida de impacto social positivo, argumentando que o novo modelo pode ampliar o tempo livre para convívio familiar, lazer e cuidados com a saúde.

Ele afirmou ainda que o debate envolve dimensões humanas e sociais mais amplas, destacando que a proposta busca melhorar a qualidade de vida da população trabalhadora.

A deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) foi eleita primeira vice-presidente da comissão. Ela classificou o debate como histórico e afirmou que a redução da jornada pode contribuir para condições de trabalho mais justas e equilibradas, especialmente para mulheres que enfrentam múltiplas jornadas diárias.

Também foram eleitos como vice-presidentes os deputados Luiz Gastão (PSD-CE) e Mauro Benevides Filho (União-CE).

Prazo de análise

A comissão é composta por 38 titulares e 38 suplentes e terá até 40 sessões para apresentar seu parecer. A partir do início dos trabalhos, também será aberto o prazo de 10 sessões para apresentação de emendas.

O presidente do colegiado informou que as reuniões devem ocorrer duas vezes por semana, às terças e quartas-feiras, devido ao prazo considerado curto para a análise da proposta.

A criação da comissão ocorreu após a aprovação de admissibilidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A instalação foi oficializada pela presidência da Câmara após articulações internas para organizar o cronograma de debates e ouvir diferentes setores da sociedade, como trabalhadores, empresários, representantes do governo, do Judiciário e pesquisadores.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.