A mensuração de cadeias de valor não tradicionais, a consolidação de matrizes de emprego intelectual e o impacto macroeconômico das indústrias da cultura pautaram o novo e robusto diagnóstico do setor produtivo regional. Um levantamento inédito coordenado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) revelou que a economia criativa movimentou R$ 1,36 bilhão no ecossistema financeiro de Mato Grosso.
Os indicadores, computados com base nos fluxos de mercado de 2021, atestam a resiliência do segmento que, mesmo sob as severas restrições sanitárias e operacionais impostas pela pandemia de Covid-19, consolidou-se como vetor estratégico de desenvolvimento.
Artesanato lidera geração de riqueza cultural e setor de TI cresce 70% em MT
A engenharia analítica do estudo foi desenvolvida em uma cooperação técnica entre o Itaú Cultural e o Observatório da Secel-MT. O cruzamento de dados setoriais demonstrou que o artesanato mato-grossense lidera a geração de receita e valor agregado dentro do segmento, sendo responsável por exatos 30% de toda a riqueza gerada pela economia criativa no território estadual.
Na sequência do ranqueamento das indústrias intelectuais, despontam dois eixos de forte expansão tecnológica e urbana:
- Tecnologia da Informação (TI): O nicho de desenvolvimento de softwares, sistemas computacionais e jogos digitais abocanhou 24% de participação;
- Arquitetura e Urbanismo: Impulsionada pelo forte ciclo de expansão imobiliária e verticalização das cidades polos de Mato Grosso, a área respondeu por 17% do montante;
- Moda e Vestuário: O design e a confecção autoral mantiveram uma fatia consolidada de 9,7% do faturamento global do setor.
O dinamismo do vetor de tecnologia aplicada à cultura e ao entretenimento sobressaiu-se na série histórica. O segmento de TI e softwares expandiu sua representatividade de 14% em 2012 para as atuais 24%, o que representa uma taxa de crescimento real de 70% no período avaliado.
Número de empresas criativas no estado cresce 52% e supera média nacional
A atratividade de mercado em Mato Grosso desencadeou um boom de empreendedorismo cultural. Entre os anos de 2012 e 2024, o volume de corporações e microempresas dedicadas à indústria criativa registrou uma escalada de 52%. O indicador mato-grossense superou com larga margem a média de crescimento do mercado brasileiro de economia criativa, que se limitou a uma expansão de 9% no mesmo intervalo temporal. Esse avanço fez a fatia de Mato Grosso na pizza corporativa cultural do país saltar de 1,2% para 1,7%.
No campo da empregabilidade, as projeções estatísticas estruturadas para 2025 indicam que, do universo de 1,89 milhão de indivíduos economicamente ativos no estado, 85,6 mil profissionais estão alocados de forma direta em empresas da economia criativa. O estoque de empregos do setor expandiu 20,3% em relação a 2012.
Outro dado relevante reside no poder aquisitivo: a remuneração média dos trabalhadores das indústrias criativas é 18,3% superior à média salarial dos demais setores econômicos mato-grossenses, saltando de R$ 3.758 para R$ 4.447.
A distribuição de faturamento por segmento, os índices de crescimento empresarial e a evolução dos parâmetros de emprego ficaram tabelados na seguinte matriz econômica:
| Indicador Econômico / Segmento | Métrica de Participação e Crescimento | Impacto e Desdobramento de Mercado em MT |
|---|---|---|
| Movimentação Financeira Total | R$ 1,36 bilhão injetados na economia local. | Consolidação do PIB Cultural como força produtiva do Estado. |
| Artesanato Regional | Líder absoluto com 30% do bolo criativo. | Geração de renda direta na base comunitária e preservação histórica. |
| TI, Software e Jogos | 24% de fatia; expansão de 70% desde 2012. | Migração para a matriz de serviços tecnológicos de alto valor. |
| Abertura de Empresas (2012-2024) | Crescimento de 52% no volume de CNPJs criativos. | Desempenho quase seis vezes maior que o índice do Brasil (9%). |
Secel-MT usará os dados estatísticos para modelar novas políticas públicas
O secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, David Moura, avaliou que o diagnóstico sepulta a visão retrógrada de que a cultura opera apenas como uma rubrica de despesa pública. O titular da Secel-MT defendeu que o fomento estatal atua como um potente indutor econômico, multiplicando postos de trabalho qualificados e dinamizando o comércio varejista e de serviços.
As conclusões foram referendadas pelo secretário-adjunto Jan Moura, pela coordenadora do Observatório da Secel-MT, Veruska Almeida, e pela superintendente de Desenvolvimento da Economia Criativa, Keiko Okamura. Os gestores pontuaram que a partir deste banco de dados será possível desenhar editais de fomento mais cirúrgicos, calibrar linhas de crédito específicas para microempreendedores culturais e estruturar polos regionais de inovação e design em Mato Grosso.
Reportagem baseada nos relatórios de conjuntura econômica do Itaú Cultural, anuários estatísticos do Observatório da Secel-MT e cadastros corporativos do Ministério da Cultura.
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