O aumento das penas para agressores é apontado por 55% dos entrevistados como a principal forma de conter a violência contra a mulher, segundo a pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres. O estudo ouviu 3,5 mil pessoas em 10 capitais brasileiras, incluindo homens e mulheres, e destaca também a necessidade de ampliação dos serviços de proteção, citada por 48%, e a agilização das investigações de denúncias, mencionada por 37%.
O levantamento foi realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec em dezembro de 2025, nas cidades de Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
Patrícia Pavanelli, diretora de Opinião Pública e Política da Ipsos-Ipec, afirmou que a pesquisa indica a importância de combinar a punição com a criação de uma rede de apoio mais robusta. Ela destacou ainda a relevância de aproximar a população dos agentes de segurança e capacitar os profissionais para atender melhor as mulheres.
Debate com especialistas
Para a promotora Fabíola Sucasas, titular da Promotoria de Enfrentamento à Violência Doméstica de SP, apenas aumentar penas não é suficiente. Ela alerta que, apesar da demanda por punição, o feminicídio já possui a maior pena prevista no Código Penal, de 40 anos, sem refletir na redução do crime.
Naiza Bezerra, coordenadora de Políticas para Mulheres da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, reforçou a necessidade de repensar intervenções públicas e mecanismos de proteção, lembrando que muitas mulheres enfrentam insegurança tanto no lar quanto em espaços públicos.
Tarefas domésticas
A pesquisa também avaliou a percepção sobre a divisão de tarefas domésticas. Quatro em cada dez entrevistados (39%) reconhecem que, apesar da responsabilidade ser de todos, as mulheres realizam a maior parte dos afazeres, enquanto 37% afirmam que a divisão é igual entre homens e mulheres. Entre os homens, 47% acreditam que a divisão é equilibrada, percentual que cai para 28% entre as mulheres. Além disso, 32% dos homens e 44% das mulheres percebem que elas acumulam a maior parte das tarefas.
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