Amazonprev é alvo de investigação da PF por aplicação irregular de recursos

A Polícia Federal investiga suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos do fundo previdenciário dos servidores do Amazonas. A operação resultou em buscas e afastamento de servidores da fundação.

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (6) a Operação Sine Consensu para investigar suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos do fundo previdenciário dos servidores públicos do Amazonas, administrado pela Fundação de Previdência do Estado, a Amazonprev.

Com autorização da Justiça Federal, agentes realizaram buscas e apreensões na sede da fundação durante a manhã. A decisão judicial também determinou o afastamento imediato de três servidores suspeitos de envolvimento em possíveis desvios milionários do Regime Próprio de Previdência Social do estado.

De acordo com a Polícia Federal, aproximadamente R$ 390 milhões foram aplicados em letras financeiras de instituições privadas em desacordo com normas de governança e regras federais que regulam investimentos de recursos previdenciários. Esses títulos de renda fixa são emitidos por instituições financeiras com o objetivo de captar recursos de longo prazo, oferecendo rentabilidade aos investidores.

As apurações iniciais apontaram indícios de irregularidades em procedimentos internos e movimentações financeiras consideradas atípicas. Esses elementos sustentaram a abertura da operação policial, conduzida com apoio do Ministério da Previdência Social.

Suspeitas de gestão temerária

Entre os investigados estão o ex-gestor de recursos e coordenador do Comitê de Investimentos da fundação, Claudinei Soares; o ex-diretor de Previdência, André Luis Bentes de Souza; e o diretor de Administração e Finanças, Cláudio Marins de Melo. Eles são suspeitos de gestão temerária e possíveis atos de corrupção. Até o momento, não houve manifestação pública dos citados.

Em nota, a Amazonprev afirmou que está colaborando com as investigações e permanece à disposição das autoridades para fornecer todas as informações solicitadas. Segundo a fundação, o objetivo é contribuir para o esclarecimento completo dos fatos.

A instituição informou ainda que um dos alvos da operação deixou o cargo comissionado e o quadro funcional ainda em 2024. Os outros dois servidores, que pertencem ao quadro efetivo, já foram afastados de suas funções conforme determinação judicial.

Apesar das suspeitas investigadas, a fundação destacou que as aplicações sob apuração não comprometem o pagamento de aposentadorias e pensões. De acordo com a entidade, o fundo previdenciário possui superávit atuarial de cerca de R$ 1,7 bilhão e mais de R$ 11 bilhões em recursos.

Segundo a Amazonprev, esse saldo é suficiente para garantir o pagamento dos benefícios atuais e futuros dos servidores do estado.

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