Janaina Riva faz alerta sobre violência em Mato Grosso e defende punições mais duras para crimes contra mulheres e crianças

A inauguração da 48ª Procuradoria da Mulher de Mato Grosso, realizada nesta terça-feira (23) na Câmara Municipal de Campo Novo do Parecis, foi marcada por um forte alerta sobre a violência contra mulheres e crianças e pela defesa de mudanças mais rigorosas na legislação brasileira para crimes sexuais.

Durante a cerimônia, a deputada estadual Janaina Riva destacou que o combate à violência não pode ocorrer apenas após os crimes serem cometidos. Segundo ela, é necessário ampliar ações preventivas e fortalecer a rede de proteção nos municípios para evitar que casos de agressão, abuso e feminicídio continuem crescendo.

“Precisamos atuar antes que a violência aconteça. Não podemos apenas reagir depois que a tragédia já ocorreu. A prevenção é o caminho mais eficaz para proteger mulheres, crianças e famílias”, afirmou.

Procuradorias da Mulher ampliam rede de proteção

A parlamentar ressaltou que as Procuradorias da Mulher têm papel fundamental no acolhimento de vítimas e na orientação sobre os caminhos disponíveis dentro da rede de proteção.

De acordo com ela, muitas mulheres em situação de vulnerabilidade não sabem a quem recorrer quando enfrentam violência doméstica, ameaças ou outras formas de agressão.

A experiência da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa demonstra essa necessidade. Segundo Janaina, centenas de atendimentos foram realizados apenas no último ano, evidenciando a importância da proximidade entre o poder público e a população.

Mato Grosso lidera índices preocupantes

Durante o discurso, a deputada chamou atenção para os indicadores de violência registrados em Mato Grosso.

Ela destacou que o estado aparece entre os que registram os maiores índices proporcionais de feminicídio no país e alertou também para os riscos enfrentados por crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

Para a parlamentar, a ausência de políticas preventivas e de informação contribui para a continuidade desses crimes.

“Precisamos levar informação para escolas, bairros, comunidades e famílias. A prevenção começa quando as pessoas conhecem seus direitos e sabem onde buscar ajuda”, disse.

Defesa de leis mais rígidas

Outro ponto que marcou a cerimônia foi a defesa de um debate nacional sobre o endurecimento das punições para crimes praticados contra mulheres e crianças.

Janaina afirmou que o país precisa discutir medidas mais severas para agressores e autores de crimes sexuais, além de fortalecer mecanismos de responsabilização e proteção às vítimas.

Segundo ela, o enfrentamento à violência exige coragem para discutir mudanças legislativas e ampliar a atuação das instituições de segurança e justiça.

Denúncia é fundamental para interromper a violência

A deputada também reforçou a importância da denúncia como instrumento para evitar que agressões evoluam para situações mais graves.

Ela destacou que muitas ocorrências de violência doméstica permanecem ocultas por medo, dependência financeira ou pressão familiar, o que acaba favorecendo a continuidade dos abusos.

Para a parlamentar, romper o silêncio é uma das medidas mais importantes para salvar vidas e impedir novos episódios de violência.

Atendimento psicológico também é prioridade

Além das medidas de proteção e repressão aos crimes, Janaina defendeu a ampliação do atendimento psicológico e psiquiátrico para vítimas e também para agressores, como forma de reduzir a reincidência e fortalecer a prevenção.

A deputada citou iniciativas já existentes em Mato Grosso, como programas de acompanhamento de mulheres sob medidas protetivas, que apresentam baixos índices de reincidência quando há monitoramento adequado.

Ao encerrar sua participação, ela afirmou que a criação da Procuradoria da Mulher em Campo Novo do Parecis representa mais um passo na construção de uma rede permanente de proteção às mulheres mato-grossenses.

“Informação, acolhimento e orientação salvam vidas. Quanto mais forte for essa rede, maiores serão as chances de evitar novos casos de violência e construir uma sociedade mais segura para as futuras gerações”, concluiu.

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