O mês de junho chegou trazendo um sinal de alerta para o agronegócio. Segundo dados apurados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o preço do milho atingiu nesta semana o patamar de R$ 64,51 (base Campinas), configurando a menor marca nominal desde o início de outubro do ano passado. O movimento reflete uma combinação de mercado cauteloso e a expectativa de uma oferta crescente.
Para o produtor de Mato Grosso, o cenário é de atenção redobrada. Em polos como Sorriso (MT), a desvalorização foi expressiva, com quedas que superam os 3% em poucos dias. Esse ajuste de preços não é isolado; é o resultado direto de um mercado que aguarda a “enxurrada” de grãos que está prestes a sair dos silos com a aceleração da segunda safra.
O efeito colheita e a retração dos compradores
Conforme divulgado originalmente pela Reuters e acompanhado pelo Cepea, os compradores nacionais estão afastados do mercado spot (negociações à vista). O motivo? Eles possuem estoques estratégicos suficientes para o curto prazo e estão monitorando de perto o progresso da colheita no Centro-Oeste.
“Demandantes nacionais, além de possuírem estoques para o consumo no curto prazo, seguem atentos à colheita de segunda safra e às recentes quedas dos preços internacionais”, aponta o estudo da Esalq/USP.
O peso do Mato Grosso no jogo
Mato Grosso segue como o fiel da balança. Embora a safra 2025/26 esteja estimada pela Conab em mais de 140 milhões de toneladas — a segunda maior da nossa história —, a pressão sobre as cotações mostra que o volume não é o único fator determinante. Fatores climáticos, como a seca em partes de Goiás e Mato Grosso do Sul, e as geadas no Paraná, ainda são variáveis que impedem um otimismo desenfreado, mas que, até agora, não foram suficientes para segurar a queda.
Por que o mercado está recuado?
Três fatores explicam a pressão atual sobre as cotações:
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Oferta em ascensão: A colheita que começa em Mato Grosso e no Paraná traz uma expectativa de aumento de volume que trava as negociações.
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Competitividade dos EUA: O bom andamento do plantio nos Estados Unidos tem pressionado os contratos futuros, reduzindo a vantagem do milho brasileiro no mercado internacional.
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Cautela dos produtores: Quem não precisa fazer caixa imediato está segurando a venda, esperando que possíveis problemas na produtividade final da safra reduzam a oferta total e forcem uma reação nos preços.
O que o produtor deve observar?
O cenário é de “espera”. Enquanto compradores aguardam preços mais baixos com a chegada do pico da safra na segunda quinzena de junho, o produtor busca margens que cubram os custos operacionais. Para o investidor e o agricultor mato-grossense, o momento exige gestão de estoque rigorosa e monitoramento constante das janelas de exportação.
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Este conteúdo foi produzido com base nas atualizações técnicas do Cepea/Esalq e monitoramento de mercado da Reuters.
Cotações do Milho
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