Brasil x Japão coloca soja de Mato Grosso em destaque e abre caminho para futuro mercado da carne bovina

Enquanto a Seleção Brasileira enfrenta o Japão pelas oitavas da Copa do Mundo, Mato Grosso entra em campo com um dos produtos mais valiosos do agronegócio: a soja. O estado já movimenta quase US$ 200 milhões com o mercado japonês e agora acompanha a expectativa pela abertura das exportações de carne bovina.

O duelo entre Brasil e Japão pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, marcado para a próxima segunda-feira (29), às 13h (horário de Mato Grosso), em Houston, nos Estados Unidos, também evidencia uma parceria econômica cada vez mais importante para o agronegócio mato-grossense.

Muito antes do apito inicial, Mato Grosso já tem presença garantida na relação entre os dois países. O estado é um importante fornecedor de soja e farelo de soja para o mercado japonês e acompanha de perto uma negociação considerada estratégica: a abertura do Japão para a carne bovina brasileira.

Soja de Mato Grosso lidera negócios com o Japão

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), consolidados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostram que Mato Grosso embarcou para o Japão, em 2025, 311,94 mil toneladas de farelo de soja, gerando receita de US$ 105,35 milhões.

Além disso, foram exportadas 223,40 mil toneladas de soja em grão, que movimentaram US$ 88,61 milhões.

Somando os dois produtos, o estado enviou ao mercado japonês 535,34 mil toneladas, com faturamento próximo de US$ 194 milhões, consolidando o complexo soja como principal elo comercial entre Mato Grosso e o país asiático.

O desempenho reforça a posição do estado como um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos e matérias-primas para mercados reconhecidos pelo alto nível de exigência sanitária e qualidade dos produtos.

Japão depende das importações para abastecer parte do mercado

Apesar de ser uma das maiores economias do planeta e referência em tecnologia, o Japão possui limitações territoriais para produção agrícola em larga escala e depende da importação de diversas commodities para abastecer suas cadeias produtivas.

A soja brasileira abastece segmentos ligados à alimentação humana, produção de óleo e fabricação de ração animal, tornando-se um insumo estratégico para o país.

Além da soja produzida em Mato Grosso, a pauta comercial entre Brasil e Japão inclui produtos como minério de ferro e café. No sentido inverso, o Brasil importa principalmente componentes da indústria automotiva japonesa.

Carne bovina pode se tornar o próximo grande negócio

Se atualmente a soja domina as exportações mato-grossenses para o Japão, a grande expectativa do setor produtivo está voltada para a carne bovina.

O mercado japonês ainda não está aberto ao produto brasileiro, mas negociações conduzidas pelo governo federal, pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e pela indústria frigorífica podem mudar esse cenário nos próximos anos.

Para o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, conquistar esse mercado representa muito mais do que ampliar o volume exportado.

Segundo ele, o Japão é considerado um dos destinos mais exigentes do mundo em relação aos padrões sanitários, sendo atualmente abastecido principalmente por países como Estados Unidos e Austrália.

A abertura desse mercado funcionaria como um importante reconhecimento internacional da qualidade da carne brasileira, especialmente da produzida em Mato Grosso, estado que possui o maior rebanho bovino do país.

Reconhecimento sanitário fortalece negociações

As tratativas ganharam novo impulso após o Brasil conquistar o reconhecimento internacional como país livre de febre aftosa sem vacinação, requisito considerado fundamental para acessar mercados premium.

Outro passo importante será a auditoria prevista pelas autoridades japonesas no sistema sanitário brasileiro, etapa necessária antes de uma eventual autorização para importação da carne bovina nacional.

Caso as negociações avancem, Mato Grosso poderá ampliar significativamente sua presença no mercado asiático, agregando valor às exportações e diversificando seus destinos comerciais.

Copa também evidencia a força do agronegócio

Ao longo da campanha brasileira no Mundial, diferentes adversários acabaram revelando conexões comerciais com Mato Grosso.

Na estreia diante do Marrocos, o destaque ficou para as exportações de milho destinadas ao país africano. Agora, contra o Japão, a soja assume o protagonismo da relação econômica.

Enquanto o futebol movimenta milhões de torcedores, o agronegócio mato-grossense disputa outra competição: conquistar mercados cada vez mais exigentes, ampliar a presença internacional e fortalecer produtos que fazem do estado uma das maiores potências agrícolas do mundo.

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