Uma negociação de R$ 1,85 bilhão envolvendo mais de 41 mil hectares de terras agrícolas em Mato Grosso ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (27). A SLC Agrícola informou ao mercado que exerceu seu direito de preferência para adquirir o chamado “Bloco Mato Grosso”, conjunto de propriedades pertencentes à Radar, empresa controlada pela Cosan e pela gestora norte-americana Nuveen. Pouco depois, o Grupo Bom Futuro afirmou que também possui direito de preferência sobre os mesmos imóveis, criando um impasse que poderá exigir definição jurídica.
A disputa envolve uma das maiores operações imobiliárias recentes do agronegócio brasileiro e reforça a importância estratégica das áreas agrícolas mato-grossenses para grandes grupos do setor.
Terras estão entre áreas agrícolas estratégicas de Mato Grosso
O negócio contempla aproximadamente 41,2 mil hectares de imóveis rurais localizados em Mato Grosso, dos quais cerca de 28,8 mil hectares são considerados agricultáveis.
Segundo a SLC Agrícola, toda a área possui potencial para cultivo de segunda safra, característica que aumenta significativamente seu valor estratégico dentro do estado, um dos maiores polos de produção de soja, milho e algodão do país.
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Atualmente, a companhia já opera cerca de 17,6 mil hectares por meio de contratos de arrendamento, situação que fundamenta sua alegação de possuir direito de preferência na compra.
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Bom Futuro também reivindica preferência na negociação
Logo após o comunicado divulgado pela SLC Agrícola, o Grupo Bom Futuro informou que também exerce direito de preferência sobre os imóveis.
A empresa afirma que essa prerrogativa decorre de sua condição de arrendatária das propriedades, entendimento que, segundo a companhia, lhe assegura prioridade na aquisição das áreas.
As duas empresas apresentaram propostas com o mesmo valor: R$ 1,85 bilhão.
Com isso, a negociação passa a depender da análise dos direitos contratuais envolvidos e dos próximos desdobramentos entre as partes.
Operação inclui toda a estrutura das fazendas
De acordo com a SLC Agrícola, a compra foi estruturada no modelo conhecido como “porteira fechada”.
Além das terras, o negócio contempla máquinas agrícolas, galpões, estruturas de armazenagem e demais ativos vinculados às propriedades.
A empresa informou ainda que pretende realizar o pagamento em duas etapas. A primeira prevê um sinal de R$ 700 milhões em até cinco dias úteis, enquanto o saldo restante, de R$ 1,15 bilhão, deverá ser quitado até o fim de outubro de 2026.
Entenda também como grandes investimentos movimentam a economia de Mato Grosso, impulsionada pelo agronegócio e pela expansão das áreas produtivas.
Aquisição representa mudança na estratégia da SLC
Nos últimos anos, a SLC Agrícola vinha priorizando um modelo de expansão baseado principalmente no arrendamento de terras, reduzindo a necessidade de investimentos elevados na compra de imóveis rurais.
A decisão de exercer o direito de preferência para adquirir todo o bloco de propriedades representa uma mudança importante nessa estratégia, indicando que a empresa considera essas áreas fundamentais para seus planos de crescimento.
Como parte das fazendas já integra sua operação agrícola, a companhia avalia que a incorporação definitiva poderá reduzir custos de adaptação e acelerar o aproveitamento produtivo da área.
Mercado analisa impactos financeiros da operação
Embora reconheçam a relevância estratégica das propriedades, analistas do mercado financeiro avaliam que o investimento também traz desafios para a companhia.
Instituições financeiras apontam que o desembolso bilionário poderá elevar o nível de endividamento da empresa nos próximos anos, além de exigir maior capacidade de geração de caixa para absorver o investimento.
Ao mesmo tempo, a administração da SLC sustenta que o valor pago está abaixo da média praticada para áreas agrícolas com características semelhantes na região.
Mato Grosso continua atraindo grandes investimentos
A disputa evidencia a valorização das terras agrícolas mato-grossenses e o papel do estado como principal fronteira de expansão do agronegócio brasileiro.
Com elevada produtividade, infraestrutura em expansão e grande disponibilidade de áreas mecanizadas, Mato Grosso permanece como destino estratégico para empresas que buscam ampliar sua presença na produção de grãos e fibras.
O desfecho da negociação ainda dependerá da análise dos direitos de preferência reivindicados pelas empresas e, caso a operação seja concluída, poderá haver necessidade de avaliação pelos órgãos reguladores competentes.
Independentemente da definição, o caso demonstra como ativos rurais de alta produtividade continuam despertando interesse de grandes grupos econômicos e reforçam o protagonismo de Mato Grosso no cenário do agronegócio nacional.
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