Câmara pauta queda do IOF enquanto Senado avalia aumento de deputados

Projeto para derrubar decreto do IOF avança na Câmara, enquanto Senado discute ampliação do número de parlamentares federais.

Em meio à busca por equilíbrio fiscal, o Congresso Nacional protagoniza nesta quarta-feira (25) duas decisões que impactam diretamente a arrecadação e os gastos públicos. Enquanto a Câmara dos Deputados se prepara para votar a suspensão do decreto que eleva o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o Senado analisa um projeto que pode aumentar em 18 o número de cadeiras na Câmara.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou pelas redes sociais que será votado o mérito do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 314/2024, que visa anular o decreto do Executivo que ampliou as alíquotas do IOF. A medida havia sido adotada pelo governo como alternativa para atingir a meta fiscal de 2025.

Motta criticou a elevação do imposto e defendeu que o ajuste fiscal deve ocorrer por meio da redução de despesas primárias, e não pelo aumento da carga tributária. Por outro lado, o governo argumenta que a arrecadação extra é necessária para preservar investimentos sociais e evitar cortes que prejudiquem o funcionamento da administração pública.

Especialistas ouvidos destacam que a disputa sobre o IOF define quem arcará com o custo de R$ 20,5 bilhões necessários para alcançar o equilíbrio fiscal no próximo ano. Em 2025, o governo já bloqueou ou contingenciou R$ 31,3 bilhões do orçamento vigente.

A iniciativa de votar o PDL em regime de urgência gerou críticas. O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), classificou como inadequada a inclusão do tema em sessão virtual, ressaltando a importância do debate público sobre o tema.

Se aprovado, o projeto seguirá para o Senado.

Senado discute aumento de deputados

Paralelamente, os senadores analisam o Projeto de Lei Complementar (PLC) 177/2023, que propõe elevar de 513 para 531 o número de deputados federais. A proposta já passou pela Câmara e atende a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que exige a adequação do número de parlamentares à proporção populacional dos estados brasileiros, conforme previsto na Constituição.

A última atualização da distribuição de cadeiras ocorreu em 1993. Pela regra constitucional, cada unidade da federação deve ter entre 8 e 70 deputados, de acordo com sua população. No entanto, para evitar a perda de cadeiras em estados como Rio de Janeiro, Bahia, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Sul, o projeto aprovado na Câmara optou por ampliar o total de vagas ao invés de redistribuí-las.

Estados que ganham deputados federais

  • Ceará: mais 1 deputado
  • Goiás: mais 1 deputado
  • Minas Gerais: mais 1 deputado
  • Paraná: mais 1 deputado
  • Mato Grosso: mais 2 deputados
  • Amazonas: mais 2 deputados
  • Rio Grande do Norte: mais 2 deputados
  • Pará: mais 4 deputados
  • Santa Catarina: mais 4 deputados

O aumento busca corrigir desequilíbrios de representatividade, especialmente em estados que registraram crescimento populacional nas últimas décadas. O texto precisa ser aprovado até 30 de junho para valer nas próximas eleições.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.