A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a Operação Continuum em Rondonópolis. A ação visa desarticular uma célula de uma facção criminosa que exercia domínio territorial no bairro Bom Pastor, utilizando o tráfico de drogas, a exploração de jogos de azar e a extorsão de comerciantes para financiar suas atividades ilícitas.
Ao todo, 13 equipes da Delegacia Regional mobilizaram-se para cumprir 19 ordens judiciais, sendo 11 mandados de busca e apreensão e oito prisões preventivas.
Extorsão e “Taxas de Proteção”
Um dos pontos mais graves revelados pela investigação da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) é o controle imposto sobre a economia local. Membros da facção exigiam pagamentos regulares de comerciantes da região sob o pretexto de uma “taxa de proteção”.
Segundo a delegada Anna Paula Marien, essa prática demonstra a tentativa da organização em substituir o papel do Estado, impondo medo e controle econômico sobre trabalhadores e pequenos empresários. Além disso, o grupo controlava a distribuição de máquinas de jogos de azar no bairro, utilizando a arrecadação para fortalecer o caixa da organização.
Expansão e Conexões Criminosas
A Operação Continuum é um desdobramento direto da Operação Impetus, realizada em 2025. Na época, a polícia desarticulou uma célula semelhante no bairro Jardim Tropical. As novas diligências mostram que os grupos atuavam de forma interligada, com divisão de tarefas que incluíam:
- Distribuição: Logística para entrega de entorpecentes em diversos pontos;
- Financeiro: Recolhimento de valores oriundos da extorsão e do tráfico;
- Contabilidade: Uso de planilhas e cadastros detalhados para o controle das atividades ilegais.
Força-Tarefa Nacional
A ofensiva em Rondonópolis não é isolada. Ela faz parte da Operação Pharus e integra a Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Renorcrim), coordenada pelo Ministério da Justiça.
A integração entre as inteligências estadual e federal busca asfixiar financeiramente as facções, reduzindo sua capacidade de armamento e influência dentro das comunidades. Os presos foram encaminhados para unidades prisionais e permanecem à disposição do Núcleo de Justiça 4.0 da Comarca de Cuiabá.
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