A elucidação de sinistros em edifícios públicos, o emprego de tecnologia aeroespacial para mapeamento de danos e a aplicação de critérios da engenharia forense pautaram a desinterdição do complexo logístico da Região Metropolitana. A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) de Mato Grosso finalizou os exames de campo e concluiu que o incêndio que destruiu o prédio da gerência de patrimônio e da Superintendência Operacional do Sistema Escolar da Prefeitura de Várzea Grande, registrado em 17 de junho, não teve natureza criminosa.
O parecer dos peritos aponta que o desastre estrutural foi deflagrado por uma falha de ordem técnica no sistema de distribuição de energia do imóvel.
Fogo começou na fiação superior de câmara fria que armazenava merenda
O mapeamento físico da área afetada isolou o ponto zero da ignição no Anexo I da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer. O cruzamento analítico dos vestígios de calcinamento, o circuito interno de monitoramento por câmeras e as oitivas de testemunhas confirmaram que as chamas originaram-se na rede de fiação elétrica situada na parte superior de uma câmara fria industrial, equipamento utilizado para o estoque e conservação de alimentos congelados da merenda escolar da rede municipal de ensino.
A estrutura do galpão funcionava como o coração logístico da pasta, concentrando toneladas de insumos alimentícios, mobiliários, computadores e materiais didáticos prontos para distribuição. A presença dessa elevada densidade de carga combustível sólida facilitou a alimentação do fogo, provocando o colapso rápido das coberturas e gerando severas avarias na infraestrutura.
Uso de drones auxiliou peritos na reconstrução tridimensional do colapso
Para vencer as limitações físicas impostas pelo desabamento de lajes e telhas retorcidas, as equipes da Politec mobilizaram aeronaves remotamente pilotadas (drones). Os sensores óticos aéreos executaram vistorias externas e superiores detalhadas, gerando uma ortofotografia de alta resolução que permitiu documentar os vetores de propagação térmica e rastrear os caminhos percorridos pelo fogo sem colocar em risco a integridade dos investigadores no solo.
O perito oficial criminal Augusto César de Figueiredo ponderou que o nível de destruição térmica sofrido pelo cabeamento impede a indicação laboratorial da causa isolada que gerou a pane. Contudo, ele pontuou que os parâmetros da literatura internacional de perícia de incêndios restringem a dinâmica a três fatores técnicos principais de fenômeno termoelétrico:
- Curto-circuito: Contato acidental entre condutores sob potenciais diferentes, gerando liberação instantânea de calor;
- Sobrecarga Elétrica: Demandas de corrente acima da capacidade nominal projetada para os disjuntores e fios;
- Descarga Contínua: Fugas de corrente e arcos elétricos sustentados por falhas de isolamento ou emendas desgastadas.
O detalhamento das frentes tecnológicas investigativas e as janelas processuais para a entrega do laudo oficial ficaram indexados na seguinte planilha técnica:
| Eixo Metodológico / Ferramenta | Evidência Analisada na Cena do Sinistro | Status Legal e Encaminhamento em MT |
|---|---|---|
| Varredura Aeroespacial (Drones) | Imagens térmicas e visuais da área superior colapsada. | Utilizado para fixar a cronologia e o vetor de alastramento das chamas. |
| Rastreamento Tecnológico | Imagens de videomonitoramento e cabos da câmara fria. | Comprovação de pane elétrica e descarte definitivo de sabotagem ou ato criminoso. |
| Liberação de Área | Complexo administrativo do Anexo I de VG. | Prédio entregue aos investigadores da Polícia Civil para providências de engenharia civil. |
| Prazo de Fechamento | Laudo descritivo final em até 30 dias. | Peça jurídica indispensável para a liquidação de sinistros e liberação de verbas. |
Laudo definitivo será anexado ao inquérito da Polícia Civil em 30 dias
Após o encerramento da coleta de dados e a certificação de que todas as amostras metalográficas necessárias foram recolhidas, a Politec efetuou a liberação legal das ruínas do prédio para os investigadores da Polícia Judiciária Civil e engenheiros da Defesa Civil. O órgão tem o prazo legal de até 30 dias para processar os relatórios laboratoriais e assinar o laudo descritivo definitivo, que detalhará matematicamente a dinâmica do acidente e mensurará os prejuízos ao erário.
A definição científica de que o incêndio decorreu de uma fatalidade termoelétrica traz segurança jurídica para as tomadas de decisão da prefeitura. Os gestores municipais trabalham agora na readequação dos cronogramas de entrega de suprimentos escolares e no remanejamento das frentes da Superintendência Operacional para prédios locados provisoriamente, garantindo que o fluxo administrativo de suporte às escolas não seja prejudicado em Mato Grosso.
Reportagem baseada nos comunicados periciais da Politec-MT, relatórios de triagem de campo da Gerência de Engenharia Forense e normas técnicas de segurança elétrica predial.
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