Relatório do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso aponta colapso em IMLs e sinaliza interdição das unidades

O Conselho agora levará essas denúncias aos órgãos de fiscalização e ao governo estadual.

As vistorias mais recentes do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) revelaram um quadro de abandono institucional na perícia oficial do estado.

O diagnóstico é severo: as unidades de Cuiabá, Sinop e Rondonópolis operam sob condições tão precárias que a entidade já cogita a interdição ética, medida que paralisaria as atividades médicas nesses locais até que as irregularidades sejam sanadas.

Nas cidades de Sinop e Rondonópolis, os fiscais detectaram falhas graves de biossegurança. O escoamento e a ventilação das salas onde são feitos os exames cadavéricos estão comprometidos, e a falta de geradores de energia elétrica para as câmaras frias coloca em xeque a integridade das provas periciais e o respeito aos corpos, além de criar um potencial risco sanitário para a vizinhança.

Cuiabá: Ilegalidade e insegurança

A situação na capital é a que mais gera preocupação. O IML de Cuiabá funciona sem as licenças básicas da Vigilância Sanitária e dos Bombeiros, operando à margem das normas do próprio Conselho de Medicina. Somado ao caos administrativo, há um visível desgaste físico do prédio:

  • Infiltrações e Mofo: Problemas estruturais causaram a perda de arquivos oficiais após alagamentos por chuvas.
  • Vulnerabilidade: A queda de um muro externo deixou os servidores expostos a invasões, contando apenas com vigilância patrimonial.
  • Sucateamento: Foram encontrados materiais de laboratório com data de validade vencida e ausência de instrumentos básicos para perícia.

Impacto na justiça e na saúde

O presidente do CRM-MT, Diogo Leite Sampaio, classificou a realidade como inadmissível, ressaltando que a precariedade afeta diretamente a qualidade das provas criminais em Mato Grosso.

Atualmente, exames especializados (histopatológicos) não são realizados pela própria Politec, sendo transferidos para o Hospital Universitário Júlio Müller devido à falta de estrutura própria.

O Conselho agora levará essas denúncias aos órgãos de fiscalização e ao governo estadual. Caso não haja uma reforma imediata e a regularização dos alvarás, a interdição ética será aplicada, o que impede legalmente os médicos de atuarem em ambientes que ofereçam riscos à sua saúde e à dignidade da profissão.

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