A repressão a fraudes financeiras complexas, o rastreamento de associações criminosas interestaduais e a destruição material de evidências ilícitas pautaram uma ação estratégica da polícia judiciária civil na capital. A Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá realizou, na tarde desta terça-feira (30 de junho), a destruição por incineração de aproximadamente R$ 10 milhões em cédulas falsas. O montante de papel-moeda adulterado havia sido apreendido durante as investigações que desarticularam o esquema do golpe do falso empréstimo milionário.
O procedimento de descarte do material contrafeito foi executado sob forte esquema de segurança em uma fornalha industrial localizada no bairro Jardim Industrial.
Empresário de Água Boa perde R$ 400 mil após cair em armadilha de falsos investidores
O esqueleto probatório do inquérito policial começou a ser desenhado em 2024, após uma denúncia formalizada por um empresário atuante no município de Água Boa, no interior do estado. A vítima relatou ter sido captada por um grupo de estelionatários que se passavam por grandes investidores e operadores de fundos de crédito internacionais. A quadrilha oferecia pacotes de financiamento empresarial com juros subsidiados, condicionando a liberação dos valores ao pagamento antecipado de taxas administrativas e comissões de corretagem.
De acordo com as apurações da Polícia Civil, os criminosos montaram uma estrutura teatral para conferir legitimidade jurídica à transação fraudulenta do golpe do falso empréstimo milionário. Eles convenceram a vítima de que um aporte de R$ 10 milhões seria depositado em sua conta assim que houvesse o pagamento de uma taxa de liberação fixada em R$ 1 milhão. Após rodadas de negociação em hotéis de luxo, o empresário entregou R$ 400 mil em dinheiro vivo aos suspeitos e recebeu, em contrapartida, uma mala trancada que supostamente guardava as cédulas do mútuo, constatando posteriormente que o recheio consistia em maços de notas falsas e recortes de jornal.
Delegado Bruno Palmiro indicia três suspeitos por estelionato e associação criminosa
O avanço do trabalho investigativo permitiu cruzar dados cadastrais, quebrar sigilos telefônicos e analisar as imagens das câmeras de alta definição dos locais onde ocorreram os encontros presenciais. A mala preta contendo o dinheiro cenográfico foi submetida à perícia papiloscópica da Politec, servindo como elemento material de convicção para embasar os pedidos de indiciamento.
Os parâmetros jurídicos do encerramento do inquérito e os desdobramentos operacionais foram consolidados na listagem abaixo:
- Tipificação Penal: Indiciamento de três integrantes do bando pelos crimes de estelionato e associação criminosa armada ou qualificada;
- Modus Operandi: Atuação simulada como falsos banqueiros e uso de ambientes corporativos para seduzir empresários em expansão;
- Destruição de Evidências: Queima integral do papel-moeda falso após autorização expressa do juízo da Vara de Crimes Contra o Patrimônio;
- Alerta de Segurança: Orientação formal das autoridades para que transações de crédito sejam feitas estritamente no ecossistema bancário oficial.
Polícia Civil rastreia ramificações de quadrilha de estelionato em outros estados
Conforme nota oficial emitida pelo delegado responsável pelo caso, Bruno Palmiro, a conclusão desta fase do processo não estanca as investigações de campo. A Delegacia de Estelionato mantém frentes de intercâmbio de informações com polícias civis de outras unidades da Federação, uma vez que há indícios robustos de que a mesma estrutura logística do golpe do falso empréstimo milionário tenha feito vítimas nos estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo.
As autoridades de segurança pública alertam que ofertas de crédito milagrosas, que exijam depósitos prévios em contas de pessoas físicas ou entregas de valores em espécie como condicionante para a liberação de aportes, configuram forte indício de fraude de balcão. O encerramento do ciclo deste golpe serve como medida pedagógica e reforça a eficácia dos setores de inteligência financeira no combate aos crimes de colarinho branco que afetam o setor produtivo de Mato Grosso.
Reportagem baseada nos relatórios de indiciamento da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, autos de destruição de bens da Politec e depoimentos processuais colhidos na Comarca de Água Boa.
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