El Niño eleva risco de grandes incêndios e Mato Grosso proíbe queimadas até novembro

Período proibitivo começou nesta quarta-feira (1º) em todo o estado. Quem utilizar fogo em áreas rurais poderá responder por crime ambiental, além de sofrer multas e outras penalidades.

Mato Grosso iniciou oficialmente, nesta quarta-feira (1º), o período proibitivo para o uso do fogo em atividades de limpeza e manejo de áreas rurais. A medida seguirá em vigor até 30 de novembro e faz parte da estratégia estadual para reduzir os incêndios florestais durante os meses mais secos do ano, quando a vegetação fica mais vulnerável às chamas.

Neste ano, o alerta é ainda maior. A influência do fenômeno El Niño deve favorecer um período de estiagem mais intenso, com temperaturas elevadas, baixa umidade do ar e redução das chuvas, aumentando significativamente o risco de queimadas em diferentes regiões do estado.

A restrição está prevista no Decreto nº 2.015/2026 e vale para os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, abrangendo todo o território mato-grossense.

Quem desrespeitar a proibição poderá responder por crime ambiental

Durante o período proibitivo, ficam suspensas as queimadas para limpeza de áreas rurais, mesmo quando utilizadas como prática tradicional de manejo.

Quem descumprir a legislação poderá ser responsabilizado administrativa, civil e criminalmente, além de estar sujeito à aplicação de multas, apreensão de equipamentos e outras sanções previstas na legislação ambiental.

Também ficam suspensas as autorizações para queima controlada emitidas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). A única exceção envolve ações executadas ou supervisionadas pelos órgãos públicos responsáveis pelo combate e prevenção aos incêndios florestais.

El Niño aumenta preocupação com a temporada de incêndios

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), as condições climáticas previstas para o segundo semestre exigem atenção redobrada.

Além da influência do El Niño, fatores típicos desta época do ano, como baixa umidade relativa do ar, vegetação seca, ventos mais intensos e ondas de calor, criam um ambiente favorável para o surgimento e rápida propagação dos incêndios.

Essas condições elevam o risco principalmente nas áreas rurais e de vegetação nativa, onde o fogo pode atingir grandes proporções em poucas horas.

Estado reforça estrutura para combater queimadas

Para enfrentar a temporada mais crítica do ano, o Governo de Mato Grosso mantém em execução o Plano de Operações da Temporada de Incêndios Florestais (POTIF), coordenado pelo Corpo de Bombeiros Militar.

O planejamento prevê reforço do efetivo com bombeiros militares e brigadistas, utilização de aeronaves, viaturas especializadas, equipamentos de combate ao fogo e tecnologias de monitoramento para identificar focos de incêndio com maior rapidez.

Além das equipes operacionais, o Estado mantém uma Sala de Situação Central responsável pelo acompanhamento em tempo real das ocorrências, além de sete unidades descentralizadas distribuídas estrategicamente pelo interior, incluindo uma estrutura exclusiva para atender o Pantanal.

Prevenção continua sendo a principal arma

O comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), tenente-coronel Heitor Alves de Souza, reforça que evitar o uso do fogo continua sendo a medida mais eficiente para reduzir os incêndios florestais.

Segundo ele, o combate às chamas exige grande mobilização de recursos humanos e materiais, enquanto a prevenção evita prejuízos ambientais, econômicos e riscos à população.

Por isso, a orientação é que produtores rurais, moradores e toda a população evitem qualquer prática que possa provocar incêndios, principalmente durante os meses de estiagem.

Como denunciar queimadas em Mato Grosso

Caso sejam identificados focos de incêndio ou utilização irregular do fogo, a recomendação é comunicar imediatamente os órgãos responsáveis.

As denúncias podem ser feitas pelos telefones 193, do Corpo de Bombeiros Militar, ou 190, da Polícia Militar.

Com a combinação entre clima mais seco, temperaturas elevadas e vegetação altamente inflamável, especialistas alertam que os próximos meses exigirão maior colaboração da população para reduzir os riscos de incêndios florestais em Mato Grosso e preservar áreas ambientais de grande importância para o estado.

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