O Ministério da Justiça autorizou o envio da Força Nacional para a Terra Indígena (TI) Sararé, em Mato Grosso, por um período inicial de 90 dias. A missão tem um objetivo urgente: desarticular as estruturas de garimpo ilegal que transformaram o território do povo Katitãurlu na área indígena mais castigada pelo desmatamento em toda a Amazônia Legal.
A medida é uma resposta direta à pressão do Ministério Público Federal e da Defensoria Pública da União. Ambos os órgãos denunciam que o Estado brasileiro falhou em cumprir decisões judiciais anteriores, permitindo que a destruição florestal na reserva saltasse impressionantes 729% nos últimos anos. Atualmente, a exploração mineral na área não é apenas artesanal, mas uma operação industrial operada por facções criminosas que utilizam maquinário pesado e ameaçam a existência da comunidade local.
A operação será coordenada sob as diretrizes do Plano Amas (Amazônia: Segurança e Soberania) e atuará de forma integrada com as forças policiais de Mato Grosso e a Funai. O foco será o patrulhamento ostensivo e a destruição de equipamentos logísticos utilizados pelos invasores, como balsas e escavadeiras hidráulicas, que poluem rios e degradam o ecossistema essencial para os Nambikwara.
Além do desastre ecológico, a segurança pública na região de Pontes e Lacerda tornou-se crítica devido à infiltração de organizações criminosas no garimpo. Para o MPF e a DPU, a intervenção é a última barreira para evitar um massacre ou o extermínio cultural da comunidade indígena, que vive sob constante risco de violência física em meio ao avanço dos criminosos.
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