Neste último domingo de janeiro (25), celebra-se o Dia Mundial de Combate à Hanseníase, data que ancora a campanha Janeiro Roxo. Em Mato Grosso, o cenário é de alerta máximo: o estado detém o maior índice de novos casos do país, sendo classificado tecnicamente como hiperendêmico.
Dados parciais da Secretaria de Estado de Saúde (SES) indicam que, em 2025, foram notificados 4.276 novos casos, com mais de 5,3 mil pacientes atualmente em tratamento.
A gravidade da situação é evidenciada pela distância estatística em relação a outros estados. Enquanto Mato Grosso registrou mais de 4 mil notificações, o Maranhão, segundo colocado, apresentou 1.758 casos.
No ano anterior, a doença foi a causa direta de cinco óbitos no estado. O Brasil, como um todo, ocupa um vergonhoso segundo lugar no ranking global, ficando atrás apenas da Índia.
Desafios históricos e o peso do estigma
A persistência da hanseníase em solo mato-grossense é atribuída a uma combinação de fatores sociais e demográficos. Analistas apontam que o histórico fluxo migratório desordenado e a urbanização precária criaram bolsões de vulnerabilidade onde o bacilo Mycobacterium leprae circula com facilidade.
Além disso, o preconceito — herança da época em que a enfermidade era chamada de lepra — alimenta a subnotificação, já que muitos pacientes buscam tratamento longe de suas cidades para evitar a discriminação.
A doença é marcada pelo silêncio: o período de incubação pode chegar a 10 anos, embora os sintomas geralmente surjam entre dois e cinco anos após o contágio. A transmissão ocorre pelo contato direto e prolongado com pacientes que não estão em tratamento, afetando pessoas de todas as idades e classes sociais.
Geografia da doença e rede de atendimento
Em 2025, a hanseníase foi detectada em 129 dos 142 municípios de Mato Grosso. As cidades com maior volume de novos diagnósticos foram:
- Cuiabá: 607 casos
- Colniza: 315 casos
- Juína: 241 casos
- Confresa: 221 casos
Para enfrentar esse quadro, o estado conta com o Centro Estadual de Referência em Média e Alta Complexidade (Cermac), em Cuiabá, além de ambulatórios especializados em polos regionais como Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop. O tratamento é totalmente gratuito pelo SUS e, uma vez iniciado, o paciente deixa de transmitir a doença imediatamente.
Sinais de alerta: Quando procurar ajuda?
A identificação precoce é a única forma de evitar sequelas neurológicas e físicas permanentes. Os principais sinais incluem:
- Manchas na pele (esbranquiçadas ou avermelhadas) com perda de sensibilidade ao calor ou toque;
- Dormência ou formigamento em mãos e pés;
- Diminuição de pelos e suor em áreas específicas;
- Caroços ou inchaços dolorosos nas articulações.
O diagnóstico é clínico e pode ser realizado em qualquer unidade básica de saúde. A recomendação das autoridades é clara: ao notar qualquer alteração na sensibilidade da pele, a busca por avaliação médica deve ser imediata.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.