Uma ação policial integrada entre as forças de segurança de Mato Grosso e Goiás foi deflagrada para desarticular uma associação criminosa especializada em fraudes cibernéticas de alto valor. A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu 16 mandados judiciais na manhã desta terça-feira (19), durante a Operação Interpositus, voltada ao combate de golpes eletrônicos interestaduais.
A ofensiva foi coordenada pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá em parceria com o Grupo Especial de Investigações Criminais (GEIC) de Trindade, unidade vinculada à 16ª Regional da Polícia Civil de Goiás. Ao todo, os agentes mobilizaram-se para cumprir oito mandados de prisão temporária e oito de busca e apreensão, distribuídos em diferentes bairros de Cuiabá e Várzea Grande.
Como funcionava o golpe do falso intermediário de veículos
As investigações apontam que o bando operava por meio do golpe conhecido popularmente como “falso intermediário”, utilizando plataformas digitais de compra e venda de automóveis. O alvo da fraude foi um morador da cidade de Trindade (GO), que sofreu um prejuízo financeiro estimado em R$ 130 mil ao tentar adquirir um caminhão anunciado na internet.
O grupo criminoso clonava anúncios legítimos de venda de veículos pesados e os republicava em outros sites de classificados com valores muito inferiores aos de mercado para atrair compradores rapidamente. A partir do interesse da vítima, os golpistas passavam a intermediar as conversas tanto com o comprador quanto com o verdadeiro proprietário do caminhão, impedindo que ambos conversassem sobre valores ou descobrissem a farsa.
Enganada pelas tratativas virtuais, a vítima efetuou diversas transferências bancárias para contas correntes de “laranjas” baseadas em Mato Grosso. A fraude só foi descoberta no momento em que comprador e vendedor se encontraram presencialmente para realizar a transferência oficial do veículo no cartório e constataram que o dinheiro nunca havia chegado ao dono real.
Rastreamento bancário embasou as ordens judiciais na Grande Cuiabá
De acordo com o organograma investigativo, as diligências técnicas de rastreamento de dados digitais e quebra de sigilo bancário permitiram mapear a movimentação financeira da quadrilha e identificar os beneficiários dos depósitos. As equipes policiais atuaram simultaneamente nos endereços residenciais dos investigados nas duas principais cidades da região metropolitana de Cuiabá.
De acordo com dados consolidados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os crimes de estelionato digital e fraudes patrimoniais eletrônicas registram crescimento contínuo em todo o país. O Código Penal Brasileiro prevê penas severas para a modalidade de estelionato eletrônico, agravadas quando há o envolvimento de associações criminosas estruturadas.
Para evitar cair no golpe do falso intermediário, a Polícia Civil recomenda quatro cuidados indispensáveis:
- Desconfie de preços baixos: Valores muito abaixo da média de mercado para veículos ou caminhões costumam indicar fraude;
- Zero transferências antecipadas: Nunca realize depósitos, PIX ou pagamentos de sinal antes de ver o veículo de perto;
- Exija conversa direta: Ao negociar, exija falar abertamente com o proprietário que está com o veículo físico e confirme se os dados bancários batem com o nome dele;
- Encontros seguros: Prefira realizar a vistoria do automóvel em locais públicos, movimentados ou diretamente em frente a cartórios e delegacias.
| Estrutura da Operação Interpositus | Detalhes Técnicos da Ação Integrada |
|---|---|
| Ordens Judiciais | 08 prisões temporárias e 08 buscas e apreensões |
| Cidades-Alvo (MT) | Cuiabá e Várzea Grande (Região Metropolitana) |
| Prejuízo à Vítima | R$ 130.000,00 na compra fraudulenta de um caminhão |
| Unidades Policiais | Estelionato (Cuiabá) e GEIC / 16ª DRP (Trindade – GO) |
A facilidade com que criminosos clonam anúncios e utilizam contas bancárias de terceiros para receber valores expressivos demonstra que as plataformas de venda online e os bancos digitais ainda possuem brechas na verificação de identidade dos usuários. Você acredita que os sites de classificados e aplicativos de venda deveriam ser responsabilizados judicialmente e obrigados a indenizar as vítimas de golpes aplicados em suas plataformas ou a responsabilidade deve ser total do comprador, que precisa ser mais cauteloso ao checar os dados antes de transferir o dinheiro? Deixe sua opinião nos comentários.
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