Galípolo afirma que orientação foi investigar sem pirotecnia no caso Banco Master

Presidente do Banco Central disse no Senado que recebeu orientação para agir com autonomia e rigor técnico ao tratar da situação do Banco Master.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8) que recebeu orientação direta do presidente da República para conduzir investigações com autonomia e sem exageros no caso envolvendo o Banco Master.

Durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado, Galípolo relatou que a recomendação foi agir de forma técnica e sem exposição desnecessária. “A orientação foi clara: investigar quem fosse necessário, com autonomia e sem pirotecnia”, declarou.

O dirigente confirmou que, em dezembro de 2024, antes de assumir oficialmente o comando do Banco Central, participou de uma reunião no Palácio do Planalto para discutir a situação do Banco Master, que já enfrentava dificuldades de liquidez.

Segundo ele, o encontro reuniu autoridades do governo, economistas e representantes da instituição financeira. Na ocasião, os controladores do banco defenderam que enfrentavam resistência no mercado por causa da concorrência que geravam, argumento que Galípolo considerou pouco consistente diante do porte da instituição.

De acordo com o presidente do BC, após ouvir os relatos, o chefe do Executivo indicou que o tema deveria ser tratado exclusivamente pelo Banco Central, reforçando a necessidade de análise técnica e independente.

Galípolo também afirmou que não voltou a discutir o assunto com o governo após essa reunião e que não tratou do caso com outras autoridades do Executivo ou do Judiciário.

Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após identificar grave insuficiência de recursos. No momento da decisão, segundo o dirigente, a instituição possuía apenas cerca de 10% do valor necessário para honrar compromissos imediatos com investidores.

O banco havia registrado crescimento acelerado ao oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos acima da média do mercado. Investigações apontaram que o modelo envolvia riscos elevados e operações que inflavam o balanço, enquanto a liquidez efetiva se deteriorava.

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