A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 — modelo com apenas um dia de descanso semanal — como uma medida necessária para a realidade atual do país. Segundo ela, a mudança pode ampliar o acesso das mulheres ao mercado de trabalho e melhorar sua qualidade de vida.
A proposta ganha força em meio às mobilizações do Dia do Trabalhador e à tramitação de projetos no Congresso Nacional que tratam da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado.
Durante entrevista, a ministra destacou que a alteração da jornada permitirá que mulheres tenham mais tempo para cuidar da saúde, da família e da vida social. Para ela, a atual configuração da escala 6×1 contribui para a sobrecarga feminina.
De acordo com a ministra, as mulheres são as mais impactadas pelo modelo atual devido à dupla ou tripla jornada, que combina trabalho remunerado com atividades domésticas e cuidados não pagos.
Ela argumenta que a mudança pode ajudar a reduzir desigualdades estruturais no mercado de trabalho, ampliando oportunidades, especialmente para mulheres negras e periféricas.
Dados recentes indicam que mulheres ainda recebem, em média, 21,3% a menos que homens no setor privado. A legislação vigente determina igualdade salarial para funções equivalentes, mas a diferença persiste.
A ministra também avalia que a redução da jornada pode trazer benefícios para empresas, como menor índice de faltas e maior produtividade, além de estimular a economia com mais tempo livre para consumo e atividades sociais.
Por outro lado, entidades empresariais apontam possíveis impactos negativos. Estimativas indicam aumento de custos trabalhistas e efeitos sobre preços e competitividade. Já estudos de instituições públicas sugerem que o mercado pode absorver a mudança de forma gradual.
O tema segue em debate no Congresso, onde projetos e propostas de emenda à Constituição tratam da reformulação da jornada. Movimentos sociais, especialmente grupos de mulheres, têm intensificado a pressão pela aprovação das medidas.
Para o governo, o fim da escala 6×1 representa um avanço nas condições de trabalho e na busca por maior equidade de gênero no país.
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