A situação de tensão no Nordeste de Mato Grosso chegou à tribuna da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (22). A deputada estadual Eliane Xunakalo apresentou denúncias graves de ameaças de morte contra o povo Kanela do Araguaia, alertando para o risco iminente de um confronto armado dentro do território indígena.
Segundo a parlamentar, vídeos e relatos enviados pelas lideranças mostram uma mobilização externa que ameaça a integridade física de mulheres, crianças e idosos que vivem na área. “Nossa preocupação é evitar que o pior aconteça”, afirmou Xunakalo ao solicitar intervenção urgente das autoridades.
Território homologado sob disputa
A Terra Indígena Kanela do Araguaia teve sua ocupação tradicional reconhecida e garantida por portaria da Funai em 2025. O território abrange áreas nos municípios de Luciara e São Félix do Araguaia. Apesar da regulamentação jurídica, a região é palco de conflitos fundiários persistentes, com relatos de invasões e intimidações frequentes.
Lideranças locais afirmam que, mesmo com o documento oficial de posse, a sensação de insegurança é constante, impedindo o desenvolvimento das atividades tradicionais e o livre trânsito dos indígenas dentro de suas terras.
Pedido de Força Nacional e reforço da PM
Diante da gravidade dos fatos, a deputada encaminhou requerimentos aos órgãos competentes solicitando medidas preventivas imediatas:
- Reforço da Polícia Militar: Patrulhamento ostensivo nas vias de acesso às aldeias;
- Força Nacional: Pedido de envio de tropas federais para garantir a segurança no interior da TI;
- Acompanhamento da Funai: Presença institucional para mediar conflitos e assegurar direitos;
- Monitoramento de Inteligência: Identificação dos grupos que estariam orquestrando os ataques.
Escalada da violência no campo
O caso dos Kanela do Araguaia não é isolado e reflete um cenário de pressão crescente sobre as terras indígenas em Mato Grosso. Especialistas em direitos territoriais apontam que a demora na desintrusão (retirada de não-indígenas) após a homologação é o principal combustível para a violência no campo.
A reportagem do CenárioMT acompanhará os desdobramentos dos pedidos de segurança e a resposta dos órgãos estaduais e federais. Como você avalia a atuação do Estado na proteção dos povos tradicionais em Mato Grosso? Deixe sua opinião nos comentários.
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