Projeto propõe conversão de multa de trânsito em doação

Proposta em tramitação permite trocar multas leves por doação de sangue ou medula, sem alterar regras do Código de Trânsito.

Trocar multa por um gesto solidário é possível? Um projeto de lei em análise na Assembleia Legislativa propõe uma alternativa educativa para condutores autuados por infrações leves.

Como funciona a proposta

O Projeto de Lei nº 2027/2025 autoriza que motoristas penalizados por infrações de trânsito em Mato Grosso optem pela conversão do pagamento da multa em doação voluntária de sangue ou de medula óssea. A iniciativa, de autoria do deputado estadual Fabio Tardin (PSB), já foi apresentada e segue em tramitação.

O texto cria o Programa Estadual de Conversão Educativa de Penalidades Administrativas de trânsito, com foco social e educativo. A adesão é facultativa e não altera a existência da infração.

O que muda — e o que não muda

Segundo o autor, a proposta não interfere nas regras do Código de Trânsito Brasileiro. Isso significa que:

  • não há exclusão da infração;
  • a pontuação na CNH permanece;
  • o prontuário do condutor não é alterado.

A conversão vale apenas para infrações de menor potencial ofensivo e de competência dos órgãos executivos estaduais de trânsito. Penalidades aplicadas por órgãos federais ou municipais ficam fora do alcance do programa.

Critérios e comprovação

Para efetivar a conversão, o condutor deverá apresentar ao Detran um comprovante oficial da doação, emitido por unidade pública ou conveniada. O documento precisa conter:

  • nome completo e CPF do doador;
  • data da doação;
  • identificação da unidade;
  • assinatura do responsável técnico.

O projeto veda qualquer tipo de constrangimento à doação e exige o respeito aos critérios médicos de aptidão. Caso as exigências não sejam cumpridas, a conversão é cancelada e a multa deve ser paga pelos meios tradicionais.

Impacto social e administrativo

A proposta destaca que a medida não cria novas despesas obrigatórias nem exige estrutura adicional do poder público, pois utiliza a rede já existente de hemoterapia e cadastro de medula. O objetivo é promover saúde pública e responsabilidade social, sem comprometer a segurança viária.

O debate está aberto. A iniciativa busca associar educação no trânsito a benefícios coletivos. Comente sua opinião!

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