ALMT derruba veto e consolida programa MT Trifásico com investimento de R$ 1,4 bilhão até 2030

Deputados validam texto que cria o programa MT Trifásico e fortalecem a expansão da energia no campo.

Em uma votação unânime realizada durante a sessão plenária desta quarta-feira (17), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) derrubou o veto do Poder Executivo e promulgou a lei que institui o programa “MT Trifásico”. A matéria, de autoria do deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos), havia sido vetada sob justificativas de interferência na matriz de concessão energética, mas o entendimento soberano dos parlamentares garantiu a manutenção integral do texto original, convertendo-o em política pública definitiva de Estado.

O programa foi desenhado a partir de uma densa articulação com federações agrícolas, cooperativas de produção e sindicatos rurais. O foco principal é sanar o deficit histórico de infraestrutura elétrica no campo, substituindo as antigas e instáveis redes monofásicas por sistemas trifásicos de alta capacidade.

Aporte bilionário e metas de expansão quilométrica da rede

O planejamento plurianual do MT Trifásico projeta a injeção de um volume financeiro estimado em R$ 1,4 bilhão entre os exercícios de 2026 e 2030. Os recursos, que contarão com engenharia financeira compartilhada, subsidiarão a implantação de aproximadamente 5 mil quilômetros de novas linhas de transmissão trifásicas em regiões agrícolas estratégicas e cinturões de agricultura familiar.

A substituição tecnológica da malha energética trará reflexos diretos na eficiência operacional de cerca de 1,7 milhão de unidades consumidoras ativas na área de concessão da Energisa Mato Grosso. A estabilidade de tensão é considerada crucial para mitigar a queima frequente de componentes eletrônicos e evitar a interrupção forçada da produção por oscilações na rede de distribuição.

Agroindustrialização, irrigação e o selo ecológico na Transpantaneira

Especialistas do setor produtivo apontam que a chegada da energia trifásica atua como um catalisador para a verticalização do agronegócio regional. Na prática, a inovação energética viabiliza o avanço de eixos estruturantes na propriedade rural:

  • Expansão da agroindustrialização: Permite a instalação de agroindústrias de beneficiamento, indústrias de laticínios e frigoríficos diretamente nas zonas de produção;
  • Automação de sistemas de irrigação: Garante potência estável para motores elétricos de pivôs centrais, reduzindo a dependência do óleo diesel e barateando o custo por hectare irrigado;
  • Armazenamento vertical: Estrutura o funcionamento contínuo de secadores e silos graneleiros nas fazendas, otimizando a logística de escoamento de safras.

Além do viés estritamente agropecuário, uma emenda parlamentar acoplada ao projeto estendeu os benefícios do programa para o turismo ecológico e sustentável. O planejamento incluiu o perímetro da Rodovia Transpantaneira, no município de Poconé, uma das principais vitrines internacionais do bioma. A trifasicação da rota hoteleira permitirá que pousadas e eco-lodges substituam geradores poluentes por energia limpa e contínua, impulsionando a infraestrutura turística na Baixada Cuiabana.

Conselho Gestor e fiscalização rigorosa dos cronogramas

Com a derrubada do veto e a consequente publicação da lei no Diário Oficial, a Assembleia Legislativa assegurou assento permanente no Conselho Gestor do MT Trifásico. O colegiado de governança será composto ainda por representantes da Casa Civil, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT) e de órgãos de controle.

A participação direta do Poder Legislativo no conselho visa auditar a aplicação dos aportes orçamentários, fiscalizar o cumprimento dos cronogramas de engenharia civil da concessionária e garantir que as ordens de serviço contemplem, prioritariamente, os polos produtivos com maior urgência de carga técnica. As primeiras frentes de obras e o plano de metas georreferenciado devem ser apresentados nas próximas semanas em Mato Grosso.

Reportagem baseada em atas de votação nominal, relatórios de comissões de infraestrutura e notas de plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

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