Projeto mapeia situação das nascentes do rio Tenente Lira e define próximas intervenções

Atualização do diagnóstico indica 11 novos mananciais que devem receber ações de recuperação no fim do ano

O projeto Águas do Lira – Seja Amigo das Nascentes entra numa nova fase, impulsionado pelos resultados de um diagnóstico atualizado das 109 nascentes que formam o rio Tenente Lira, curso d’água que percorre 58 quilômetros e integra a história, a cultura e a identidade do município de Sorriso.

O levantamento apontou que das 60 nascentes que apresentavam algum nível de degradação, 14 já foram revitalizadas, encontram-se preservadas e seguem sendo monitoradas pelas equipes técnicas. O trabalho é conduzido pela Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso) e parceiros como o Ministério Público Estadual, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso – IFMT Campus Sorriso, prefeitura de Sorriso e produtores rurais.

“Cada parceiro contribui de uma forma, com conhecimento técnico, apoio institucional, recursos e mobilização social, fortalecendo as ações realizadas em campo. Os resultados alcançados mostram que, quando diferentes setores trabalham juntos em prol de um objetivo comum, é possível promover transformações significativas para o meio ambiente e para a qualidade de vida de toda a sociedade”, afirma a presidente do CAT Sorriso, Márcia Becker Paiva.

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Alunos do IFMT tendo aulas práticas no Viveiro de Mudas, usadas na revitalização das nascentes

O primeiro diagnóstico, realizado em 2019, foi o ponto de partida para uma grande mobilização em torno da recuperação das fontes que abastecem o rio Tenente Lira, reconhecido como patrimônio histórico, cultural, ecológico e turístico de Sorriso. No ano seguinte, o projeto começou, desde então, cada nascente recuperada significa maior biodiversidade e mais segurança hídrica.

O novo estudo aponta os próximos passos. Segundo a responsável técnica do projeto Águas do Lira pelo CAT Sorriso, Luciana Pereira, outras 11 nascentes passarão por ações de revitalização com intensificação das chuvas, no final deste ano. Três mananciais estão  localizados na área urbana e oito na zona rural.

“O trabalho de campo apontou que estas nascentes apresentam diversos níveis de degradação, como baixa cobertura do solo com espécies nativas, presença de espécies exóticas – principalmente gramíneas – e alguns casos, erosão”, informa Luciana Pereira.

Revigorar um olho d ‘água é um trabalho que leva tempo, em média de 3 a 5 anos até que os resultados sejam consolidados. Entre as principais estratégias utilizadas está o plantio de espécies nativas capazes de recompor a vegetação e restabelecer o equilíbrio ambiental da área. Desde o início do projeto, mais de 15 mil mudas já foram plantadas ao longo da bacia do rio Tenente Lira.

A vegetação exerce um papel decisivo na proteção dos recursos hídricos, funcionando como uma espécie de filtro natural, diminuindo o nível de sedimentos e até poluentes que podem chegar até a água. “As raízes e a própria parte aérea das espécies vegetais acabam servindo como uma barreira física, retendo esses sedimentos e impedindo que cheguem à nascente ou ao corpo d’água, ou, pelo menos, reduzindo a quantidade que chega”, explica o engenheiro florestal e professor do IFMT Campus Sorriso, Everton José de Almeida.

Além de proteger a água, as raízes ajudam a manter o solo firme e estruturado, reduzindo significativamente os riscos de erosão. O especialista destaca ainda que a cobertura vegetal atua como um escudo natural contra o impacto das chuvas. “Quando o solo está exposto, as gotas de chuva atingem diretamente a superfície, desagregando as partículas e favorecendo o arraste pela água, processo conhecido como erosão laminar”, explica. Esse fenômeno remove justamente a camada mais fértil do solo, empobrecendo a área e dificultando a regeneração da vegetação.

Para quem acompanha o trabalho de perto, os resultados têm muito significado. “É um sentimento de muita gratidão e realização, quando constatamos a revitalização de uma nascente. No primeiro contato você encontra o manancial degradado, com pouca água, sem vegetação. Quando voltamos depois da revitalização e vemos a água brotando novamente, a vegetação se recuperando e a vida retornando ao local é emocionante. É a certeza de que todo o esforço valeu a pena”, comemora a engenheira agrônoma Luciana Pereira.

Viveiro produz árvores que devolvem vida às nascentes

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Nascente do Rio Lira

Grande parte dessa transformação começa no viveiro de mudas instalado no campus do IFMT de Sorriso. É ali que espécies nativas como jatobá, ipê-amarelo, copaíba, ingá e açaí são cultivadas antes de seguirem para as áreas em recuperação. Cada muda plantada representa um passo importante na reconstrução dos ambientes naturais que protegem as nascentes do rio Lira.

“É um trabalho que exige planejamento e cuidado desde a produção das mudas até o plantio, e acompanhar esse processo acontecendo é muito gratificante. Sabemos que a recuperação ambiental leva tempo, mas esse é um investimento importante para o futuro das nossas nascentes e da comunidade”, disse a responsável técnica do viveiro e engenheira florestal, Bruna Estela Valério.

O viveiro também é usado para aulas com alunos do IFMT. No local, é possível integrar teoria e prática em etapas como preparo de substrato, semeadura, repicagem e manejo de espécies. Além de contribuir para a formação técnica dos estudantes, a estrutura do viveiro também apoia o desenvolvimento de pesquisas, trabalhos de conclusão de curso (TCC) e outras atividades acadêmicas, ampliando o conhecimento sobre produção de mudas nativas e recuperação ambiental e fortalecendo a conexão entre ensino e demandas da comunidade.

A unidade de produção de mudas de árvores nativas é muito usada pela comunidade escolar. “Como professora da EJA, gosto de levar os estudantes para conhecer o viveiro porque eles conseguem enxergar na prática temas que trabalhamos em sala de aula. Saber que aquelas mudas ajudam na recuperação das nascentes do Rio Lira gera engajamento e aproxima os alunos das questões ambientais do nosso município”, afirma Ritielly Carvalho Senigalia, professora da área de engenharia ambiental do IFMT, campus Sorriso. (com Crop AgroComunicação – Assessoria de Imprensa do CAT Sorriso)

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