Deputado Diego Guimarães defende plebiscito para que moradores decidam disputa territorial entre Mato Grosso e Pará

Deputado defende consulta popular sobre área disputada entre estados antes de decisão no STF.

O impasse histórico que envolve os limites geográficos e a soberania administrativa sobre uma vasta área de fronteira ganhou um novo componente político e social. Durante sessão plenária na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o deputado estadual Diego Guimarães defendeu publicamente a realização de um plebiscito institucional para que os próprios moradores da região disputada entre Mato Grosso e Pará escolham a qual estado desejam pertencer.

A manifestação ocorre às vésperas de um movimento jurídico decisivo. O Supremo Tribunal Federal (STF) agendou para o próximo mês de junho uma audiência de conciliação para tentar mediar o conflito que se arrasta há anos nos tribunais. A área em litígio compreende uma extensão aproximada de 22 mil quilômetros quadrados, recheada de propriedades rurais produtivas e comunidades consolidadas.

Moradores da divisa oficial do Pará usam saúde e educação de municípios mato-grossenses

O argumento central do parlamentar baseia-se no princípio da dignidade humana e no pertencimento prático das famílias. Diego Guimarães destacou que, embora muitas comunidades estejam mapeadas oficialmente dentro do território paraense, a população local depende quase que exclusivamente da infraestrutura e dos serviços públicos mantidos por prefeituras do norte de Mato Grosso. “Antes de falar de terra, precisamos falar de pessoas”, asseverou o deputado.

Cidades mato-grossenses como Guarantã do Norte, Novo Mundo, Alta Floresta, Paranaíta e Apiacás são os polos reais de acolhimento para os moradores das faixas fronteiriças. A dinâmica socioeconômica local obriga que famílias de localidades paraenses cruzem a divisa diariamente em busca de atendimentos vitais.

A dependência estrutural das comunidades da região inclui o acesso direto a:

  • Assistência Médica: Atendimentos de urgência, emergência e exames especializados na rede de saúde de MT;
  • Logística Escolar: Rotas de transporte de estudantes mantidas por municípios mato-grossenses;
  • Logística de Escoamento: Manutenção e abertura de estradas vicinais e pontes por consórcios de MT;
  • Polos Urbanos: Integração comercial em distritos como Cachoeira da Serra, Castelo dos Sonhos e Vale do XV.

Impasses jurídicos travam investimentos de prefeitos e geram insegurança para produtores

A indefinição sobre os marcos divisórios tem gerado severos travamentos administrativos para os gestores públicos da região Norte. Prefeitos de Mato Grosso relatam o temor de enfrentar sanções e responder por improbidade administrativa ao desviarem maquinários e recursos de seus caixas municipais para recuperar estradas ou prestar socorro a vilas que, legalmente, pertencem ao Pará, mesmo que este último não atue de forma efetiva no local.

Para o deputado Diego Guimarães, a Assembleia Legislativa deve acompanhar de perto as negociações coordenadas pelo STF em Brasília, mas precisa liderar o movimento de cooperação interestadual. A meta é garantir que, independentemente do desenho final do mapa, o fluxo de serviços e a segurança jurídica de produtores rurais e famílias vulneráveis não sejam interrompidos, utilizando o plebiscito como a ferramenta mais democrática para chancelar a vontade de quem realmente sofre os impactos da divisão geopolítica.

Raio-X do Conflito Territorial Dados Técnicos e Encaminhamentos Políticos (2026)
Extensão da Área em Disputa Aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados
Proposta de Consulta Popular Realização de Plebiscito com os moradores locais
Próximo Passo Judicial Audiência de conciliação marcada no STF para Junho
Cidades de MT que dão Suporte Guarantã do Norte, Alta Floresta, Novo Mundo, Paranaíta e Apiacás
Comunidades Impactadas Cachoeira da Serra, Castelo dos Sonhos e Vale do XV

A defesa de um plebiscito para resolver a disputa de terras entre Mato Grosso e Pará joga luz sobre a importância de ouvir a população que de fato vive e produz na região, evidenciando que critérios geográficos antigos não devem se sobrepor ao direito dos cidadãos de escolherem a administração que lhes garante saúde e educação, embora juristas apontem que decisões sobre limites estaduais são de competência técnica e constitucional do STF e do Congresso Nacional, não podendo ser flexibilizadas por consultas locais que ignoram marcos históricos e tratados geográficos oficiais. Você considera que a vontade dos moradores e a dependência dos serviços de Mato Grosso devem ser o fator determinante para redefinir o mapa da região, ou acredita que o STF deve decidir a questão de forma estritamente técnica com base nos mapas e perícias do Exército Brasileiro, independentemente do desejo da população local? Participe do debate e deixe seu comentário abaixo.

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