Sob o impacto das baixas temperaturas, a Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, uniu forças com a Defesa Civil do Município para deflagrar mais uma etapa da operação de acolhimento noturno.
Realizada na noite de quarta-feira (7), a iniciativa percorreu pontos estratégicos da capital para fazer a entrega de cobertores e marmitas a cidadãos em extrema vulnerabilidade social, um trabalho contínuo que ganha contornos de urgência nos dias de inverno.
A ação foi liderada pelo diretor de Políticas Públicas para a População em Situação de Rua, Cleverson Leite de Almeida — conhecido como Coronel Leite —, ao lado da assessora técnica Talita Oliveira Rodrigues, do Serviço de Abordagem Social, e do representante da Defesa Civil, Ozeias Souza de Oliveira.
Migração urbana e esvaziamento de pontos tradicionais
Durante o monitoramento, as equipes de assistência constataram uma dinâmica diferente nas ruas da capital. Pontos tradicionalmente conhecidos pela alta concentração de pessoas sem teto registraram uma presença significativamente menor de indivíduos. Entre as regiões mapeadas que apresentaram esvaziamento parcial estão:
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O histórico Beco do Candeeiro, na região central;
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A área dos eucaliptos, localizada nas imediações da rodoviária, no bairro Alvorada;
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O entorno da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Leblon.
De acordo com o Coronel Leite, a redução reflete o dinamismo dessa população e a rede de apoio existente na cidade.
“Nas ações que a gente vem desenvolvendo nesse período de frio, notei que hoje diminuiu o número de pessoas em situação de rua. Notamos que elas têm migrado para outros pontos ou já foram atendidas por outra instituição, pelo Estado ou por alguma outra ONG. Mas o que foi proposto pela Prefeitura, que foi a entrega de 100 marmitas e cobertores, foi realizado com êxito”, explicou o diretor.
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As abordagens sociais revelam que a trajetória em direção às ruas é quase sempre multifatorial, impulsionada pelo uso abusivo de álcool e outras substâncias, além de severas rupturas nos laços familiares. Nesta última ação, o perfil de uma mulher recém-chegada ao grupo dos eucaliptos chamou a atenção dos técnicos.
Identificada pelas iniciais J.C.A., de 39 anos, ela estava no local há apenas dois dias e mantinha cuidados pessoais que contrastavam com o semblante de desamparo. Em um relato comovente, revelou ter um histórico profissional sólido como operadora de caixa e gerente de loja, mas que acabou sucumbindo ao alcoolismo e ao tabagismo, vícios que a acompanham desde a adolescência, somados a problemas crônicos na coluna que dificultam sua inserção no mercado de trabalho. Ela relatou ter ido parar na rua após um severo conflito com o marido.
A mulher, que recebeu alimentação e agasalho, confirmou ter conhecimento sobre a rede de albergues públicos mantida pelo município. A Secretaria de Assistência Social informou que as equipes de abordagem realizarão novos acompanhamentos psicossociais nos próximos dias para avaliar as possibilidades de encaminhamento médico e reinserção social da assistida.
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