A partir desta semana, Mato Grosso inicia uma mudança histórica em sua política ambiental e florestal. Um acordo firmado entre o Governo do Estado e o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) determina o fim gradual do uso de biomassa oriunda de madeira nativa extraída de desmatamento por grandes consumidores industriais.
A medida estabelece um cronograma de transição que prevê a eliminação completa desse tipo de matéria-prima até 2034, incentivando o crescimento das florestas plantadas, especialmente o cultivo de eucalipto para fins energéticos.
Nova regra muda o futuro da biomassa em Mato Grosso
A decisão foi oficializada por meio de um Termo de Compromisso Ambiental (TCA), assinado na segunda-feira (8 de junho), que revoga a Instrução Normativa nº 06/2022.
Na prática, a medida impede que grandes consumidores continuem ampliando o uso de biomassa proveniente de áreas desmatadas e cria um ambiente favorável para investimentos em reflorestamento comercial.
A meta é zerar completamente o consumo de biomassa de desmatamento até 2034.
Setor florestal comemora avanço para fontes renováveis
Para a Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), a mudança representa um marco para o desenvolvimento sustentável do estado.
Segundo o presidente da entidade, Fausto Takizawa, Mato Grosso passa a construir uma trajetória baseada em fontes renováveis, rastreáveis e capazes de garantir abastecimento contínuo para a indústria.
O eucalipto reflorestado passa a ser tratado como principal alternativa para atender a demanda energética industrial.
Por que o eucalipto ganhou protagonismo?
O eucalipto já é amplamente utilizado por indústrias mato-grossenses devido à sua elevada eficiência energética e ao rápido ciclo de crescimento.
Além disso, trata-se de uma matéria-prima renovável, capaz de fornecer biomassa de forma contínua sem pressionar áreas de vegetação nativa.
O ciclo produtivo do eucalipto foi um dos fatores considerados para definir o prazo de transição de sete anos.
Licenças para novos empreendimentos terão novas exigências
Outro ponto importante do acordo envolve o licenciamento ambiental de novos empreendimentos industriais.
A partir da assinatura do TCA, o Governo de Mato Grosso assume o compromisso de não autorizar novos projetos ou ampliações que dependam exclusivamente de matéria-prima florestal nativa.
Empresas que descumprirem as novas regras poderão sofrer multas, sanções administrativas e dificuldades para renovar licenças ambientais.
Sistema de rastreabilidade será obrigatório
Um dos pilares da nova política ambiental será a criação de mecanismos para monitorar o cumprimento dos chamados Planos de Suprimento Sustentável (PSS).
Esses planos deverão comprovar que os grandes consumidores estão investindo proporcionalmente em florestas plantadas para atender suas necessidades futuras de biomassa.
O governo terá até 120 dias para regulamentar os sistemas de rastreabilidade e monitoramento.
Déficit de biomassa preocupa o setor produtivo
A Arefloresta vem alertando desde o ano passado sobre a necessidade de ampliar rapidamente as áreas de reflorestamento em Mato Grosso.
Entre 2022 e 2025, a participação das florestas plantadas no mercado estadual de biomassa caiu de 59% para apenas 47,5%, enquanto aumentou a utilização de biomassa proveniente de desmatamento.
Os números mostram que Mato Grosso precisa acelerar os investimentos em reflorestamento para evitar escassez futura.
Indústria do etanol de milho amplia demanda por madeira plantada
O crescimento das usinas de etanol de milho está entre os principais fatores que impulsionam a necessidade de expansão florestal no estado.
Atualmente, Mato Grosso possui cerca de 165 mil hectares de florestas plantadas. Entretanto, estudos do setor apontam que essa área precisará alcançar aproximadamente 436 mil hectares até 2030 apenas para atender a demanda das indústrias de etanol.
Será necessário praticamente triplicar a área de reflorestamento nos próximos anos.
Oportunidade para produtores rurais e investidores
Com a nova regulamentação, especialistas acreditam que o reflorestamento comercial poderá se tornar uma das atividades mais promissoras do agronegócio mato-grossense.
A expectativa é que produtores rurais ampliem os investimentos em eucalipto e outras espécies destinadas à produção de biomassa, criando uma nova fonte de renda para propriedades agrícolas.
A transição energética pode abrir uma nova fronteira econômica para o setor florestal de Mato Grosso.
Análise CenárioMT
A decisão fortalece a imagem de Mato Grosso como referência em sustentabilidade dentro do agronegócio brasileiro. Ao mesmo tempo, cria oportunidades para produtores, investidores e empresas ligadas ao setor florestal. O crescimento das florestas plantadas pode gerar empregos, atrair investimentos e garantir segurança energética para indústrias estratégicas, como as usinas de etanol de milho.
Quer acompanhar mais notícias sobre reflorestamento, agronegócio sustentável e desenvolvimento econômico em Mato Grosso? Continue acessando o CenárioMT e fique por dentro das principais transformações que impactam o futuro do estado.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.