A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), maior bancada do Congresso Nacional, voltou a não participar do lançamento do Plano Safra 2026/2027 voltado a médios e grandes produtores rurais, realizado nesta terça-feira (30), no Palácio do Planalto, em Brasília.
Esta é a terceira edição consecutiva do programa em que dirigentes da bancada ruralista deixam de comparecer ao anúncio oficial, evidenciando o distanciamento político entre a FPA e o governo federal desde o início da atual gestão.
Enquanto o governo apresentou o novo pacote de crédito rural, parlamentares da diretoria da frente não estiveram presentes na cerimônia.
Segundo uma notícia divulgada no portal Agência Estado, a Frente Parlamentar da Agropecuária informou que sua diretoria não recebeu convite institucional para participar do lançamento do Plano Safra.
Apesar da ausência dos parlamentares, o Instituto Pensar Agro (IPA) — entidade responsável pelo suporte técnico da FPA — esteve representado pela presidente Tania Zanella, que acompanhou o evento.
Relação com o governo segue marcada por divergências
Desde 2023, a FPA tem adotado posição crítica em relação a diversas políticas do governo federal voltadas ao agronegócio.
Ao longo desse período, a bancada ruralista manifestou divergências sobre temas ligados ao crédito rural, questões ambientais, regularização fundiária e políticas agrícolas.
Neste ano, houve uma tentativa de aproximação com o novo ministro da Agricultura, André de Paula, após uma relação considerada desgastada entre a bancada e o ex-ministro Carlos Fávaro.
Mesmo assim, integrantes da FPA têm cobrado maior protagonismo do Ministério da Agricultura nas decisões relacionadas ao setor agropecuário.
Governo anuncia R$ 525,1 bilhões para o Plano Safra
Durante a cerimônia desta terça-feira, o governo federal lançou oficialmente o Plano Safra 2026/2027 destinado aos médios e grandes produtores rurais.
O programa contará com R$ 525,1 bilhões em recursos para financiamento da produção agropecuária.
Segundo o governo, o montante representa um acréscimo de R$ 9 bilhões em relação ao Plano Safra 2025/2026.
Os recursos serão destinados às linhas de crédito voltadas para:
- custeio da produção;
- investimentos;
- comercialização;
- industrialização da produção agropecuária.
O Plano Safra é considerado o principal instrumento de financiamento do agronegócio brasileiro e tem papel estratégico para o setor, especialmente em estados produtores como Mato Grosso, líder nacional na produção de soja, milho, algodão e carne bovina.
Crédito rural continua sendo prioridade do setor
O anúncio do novo Plano Safra ocorre em um momento de expectativa do setor produtivo em relação ao acesso ao crédito, custos de financiamento e apoio aos investimentos no campo.
A ausência da maior bancada ligada ao agronegócio no Congresso durante o lançamento reforça o cenário de distanciamento institucional entre a FPA e o governo federal, mesmo após recentes sinais de diálogo com o Ministério da Agricultura.
Nos próximos dias, entidades representativas e lideranças do agronegócio deverão analisar as condições de financiamento, taxas de juros e regras operacionais do novo Plano Safra, que servirá de base para a produção agrícola brasileira na temporada 2026/2027.
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