Vacina deve permanecer armazenada até nova decisão do Ministério da Saúde

Estados e municípios foram orientados a manter as doses da vacina contra dengue do Butantan em estoque enquanto o Ministério da Saúde investiga casos de reações adversas graves registrados após a imunização.

O Ministério da Saúde orientou estados e municípios a manterem armazenadas as doses da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Butantan até que uma nova decisão seja anunciada. A medida foi confirmada pelo diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, após a suspensão temporária da aplicação do imunizante.

A interrupção ocorreu depois da identificação de 42 casos de reações adversas graves e duas mortes que estão sendo investigadas para verificar uma possível relação com a vacinação. Segundo o Ministério da Saúde, nenhuma nova dose será distribuída neste momento.

De acordo com Gatti, os estados que possuem o imunizante em estoque devem mantê-lo armazenado, assim como os municípios que ainda contam com doses disponíveis em suas redes de frio, até que haja uma nova orientação oficial.

Os casos foram detectados pela vigilância de rotina do Programa Nacional de Imunizações. Entre os sintomas observados estão dor abdominal, vômitos persistentes, episódios de sangramento e perda de consciência.

Além disso, três pessoas apresentaram quadros compatíveis com dengue grave e precisaram ser internadas. Duas delas morreram. As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias dos casos.

Até 30 de maio, mais de 501 mil pessoas haviam recebido o imunizante. A vacinação contemplou profissionais de saúde e pessoas com mais de 15 anos em Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína (TO).

Casos considerados incomuns

O Ministério da Saúde informou que a suspensão tem caráter preventivo e não representa perda de eficácia do imunizante. Segundo a pasta, os eventos registrados não haviam sido identificados durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação da vacina.

Especialistas destacam que reações extremamente raras podem ser detectadas apenas após a aplicação em larga escala. O monitoramento contínuo do programa de vacinação foi responsável pela identificação dos casos atualmente em análise.

A expectativa das autoridades é que a divulgação das ocorrências leve ao aumento das notificações, permitindo uma avaliação mais ampla da situação.

Orientação para vacinados recentemente

Pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias devem observar possíveis sintomas como febre, dores no corpo, manchas na pele, sangramentos e vômitos. Caso apresentem qualquer um desses sinais, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.

Segundo o Ministério da Saúde, esse período corresponde à fase em que a versão atenuada do vírus utilizada no imunizante ainda pode estar presente no organismo.

Já quem foi vacinado há mais de 21 dias não é considerado grupo de risco relacionado aos eventos investigados. Além disso, permanece protegido contra a doença.

Dados apresentados pelo Ministério indicam que a vacina do Butantan reduz em cerca de 65% os casos de dengue e supera 80% de proteção contra formas graves e hospitalizações.

Análise de especialistas

Um comitê de especialistas será convocado para avaliar as informações coletadas pela vigilância epidemiológica. A partir dessa análise, o Ministério da Saúde definirá os próximos passos e eventual retomada da vacinação.

Até o momento, não há prazo definido para uma decisão final sobre o uso do imunizante.

Qdenga segue disponível

A vacina Qdenga, produzida pela Takeda e oferecida pelo Sistema Único de Saúde para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, continua sendo aplicada normalmente.

Segundo o Ministério da Saúde, não foram identificados sinais de segurança que justifiquem alterações na estratégia de vacinação com esse imunizante, que permanece disponível para o público indicado.

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