O Colégio Cruzeiro, no Rio de Janeiro, acionou a Polícia Civil após a criação de uma lista de conteúdo sexual com nomes de alunas adolescentes em uma plataforma online. O material expôs, constrangeu e humilhou estudantes, levando o caso para investigação das autoridades.
A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) informou que realiza diligências para apurar os fatos. O episódio levantou o debate sobre a responsabilidade das escolas e das famílias diante de situações de violência envolvendo adolescentes.
Especialistas em educação afirmam que a escola deve atuar não apenas no ensino formal, mas também na formação social dos estudantes, promovendo prevenção, diálogo e conscientização.
Segundo a professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Telma Vinha, casos como esse possuem diferentes aspectos que precisam ser trabalhados de forma contínua dentro do ambiente escolar.
“Uma situação como essa tem muitas camadas e essas camadas devem ser trabalhadas como prevenção, de uma maneira muito mais sistematizada e contínua”, afirmou.
A professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Denise Carreira, destaca que a escola também tem o dever de identificar situações de violência, acolher vítimas e comunicar os órgãos responsáveis, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Acolhimento às vítimas
Para Telma Vinha, a prioridade da escola em situações de violência deve ser o cuidado com as vítimas, evitando minimizar a gravidade dos acontecimentos e garantindo um espaço seguro de escuta.
A especialista ressalta que é necessário ouvir as estudantes de maneira cuidadosa, deixando claro que elas não são responsáveis pela violência sofrida e que receberão proteção contra novas exposições.
“Essa escuta ajuda inclusive a orientar a escola nos próximos passos com os autores”, explicou Vinha.
Em relação aos responsáveis pela agressão, a professora defende conversas individuais e ações educativas que ajudem os envolvidos a compreender a gravidade das atitudes tomadas e os impactos causados.
Educação sobre gênero
Denise Carreira aponta que o debate sobre desigualdade de gênero nas escolas é essencial para combater a violência contra meninas, mulheres e pessoas LGBTQIA+.
“Não tem como a gente avançar no enfrentamento da violência contra meninas, mulheres, população LGBTQIA+ sem a gente fazer essa conversa séria nas escolas”, afirmou.
Segundo a professora, discutir masculinidades e incentivar relações baseadas em respeito e igualdade contribui para que estudantes compreendam melhor seus papéis sociais.
Ela também defende a realização de rodas de conversa, projetos educativos e formação de profissionais da educação para enfrentar comportamentos associados à dominação e à desvalorização do feminino.
Posicionamento do Colégio Cruzeiro
Em nota, o Colégio Cruzeiro afirmou que a segurança e o bem-estar dos alunos são prioridades da instituição e informou que repudia qualquer atitude de exposição que prejudique estudantes.
A escola declarou que comunicou as autoridades, solicitou a retirada do conteúdo da plataforma onde foi publicado, alertou as famílias e iniciou apoio às alunas e seus responsáveis.
O colégio também afirmou que mantém ações de conscientização sobre ética, responsabilidade digital e convivência, com participação de profissionais como psicólogos, juízes, especialistas em tecnologia e delegados.
A instituição informou ainda que continuará adotando medidas pedagógicas para preservar o ambiente escolar e reforçar valores relacionados ao respeito e ao desenvolvimento humano.
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