Mutirão em Sinop descobre 60 focos de Aedes aegypti e acende alerta durante a estiagem

Agentes de endemias já vistoriaram mais de 5,8 mil imóveis em oito bairros; recipientes em quintais lideram criadouros na cidade

Nem mesmo o período de seca severa que atinge o norte de Mato Grosso dá trégua na batalha contra o mosquito Aedes aegypti. A Prefeitura de Sinop, por meio do Centro de Combate às Endemias da Secretaria de Saúde, emitiu um alerta rigoroso para que os moradores não baixem a guarda. Desde o início de um mutirão especial de fiscalização deflagrado no final de junho, as equipes de saúde já identificaram 60 focos ativos com larvas do transmissor da dengue, zika e chikungunya, espalhados por oito bairros da cidade.

Até o momento, o pente-fino passou pelos bairros Residencial Kayabi, Recanto da Mata, Jardim Caribe, Jardim Veneza, Jardim Califórnia, Residencial Daury Riva, Jardim das Rosas e Jardim Azaléias.

Ao todo, os agentes abordaram 5.833 imóveis, conseguindo vistoriar internamente 3.071 deles. Nessas incursões, os técnicos conseguiram eliminar 1.561 objetos e locais com altíssimo potencial para se tornarem criadouros do inseto.

O perigo mora nos quintais: O raio-X dos focos em Sinop

O mapeamento da Vigilância Ambiental revelou que a maior parte das larvas foi encontrada em objetos corriqueiros deixados nos quintais e expostos ao tempo, como baldes, pratinhos de vasos de plantas, caixas d’água destampadas, lonas e entulho descartado de forma irregular.

A concentração de focos acendeu o sinal de alerta em quatro localidades específicas da cidade:

  • Jardim Veneza: Lidera o ranking com 19 focos descobertos;
  • Jardim Califórnia: Registrou 12 focos ativos;
  • Residencial Daury Riva: Contabilizou 11 focos;
  • Jardim Caribe: Fechou o topo da lista com 8 focos.

O coordenador de vigilância ambiental, Alef Costa, enfatizou que o ciclo de reprodução do mosquito não tira férias na estiagem. Segundo ele, basta uma pequena quantidade de água parada — seja de regas de plantas, poças esquecidas ou do uso doméstico — para que o mosquito deposite seus ovos. Ele orientou que bastam apenas dez minutos de vistoria semanal por parte do morador para cortar a linha de transmissão das doenças antes que o período de chuvas retorne.

Parceria com o morador e manutenção preventiva

A coordenação do mutirão fez questão de acalmar os moradores quanto ao teor das visitas. O objetivo principal das equipes é puramente educativo e de eliminação física dos focos, sem qualquer intuito de aplicar multas ou penalidades administrativas aos cidadãos. A intenção é que a população enxergue os 15 agentes de endemias que estão nas ruas como parceiros da saúde coletiva.

Outra estratégia sugerida pelos especialistas é aproveitar o solo seco e a falta de chuva para realizar reparos estruturais preventivos nas residências. Manutenções complexas como o conserto e a limpeza de calhas entupidas, vedação de caixas d’água, ajustes em redes de esgoto e nivelamento de ralos externos são muito mais fáceis de executar agora do que no meio do inverno amazônico.

Atualmente, o contingente de servidores está concentrado nos imóveis do Jardim das Rosas e, na sequência, os trabalhos avançam em direção ao Jardim das Azaléias e ao Jardim das Oliveiras. As vistorias acontecem de segunda a sexta-feira, em dois turnos: das 7h às 11h e das 13h às 17h.

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