O cantor Osmin Carlson, nome artístico do policial Carlos Hogendorp, afirma que sonha em voltar a morar no Brasil após anos vivendo na Holanda. Adotado aos 4 anos por um casal holandês junto de dois irmãos biológicos, ele passou a buscar suas origens brasileiras e hoje atua na conscientização sobre adoção e acolhimento infantil.
Carlos chegou à cidade de Leeuwarden ainda pequeno, após deixar um abrigo em Leme, no interior de São Paulo. As lembranças da mudança incluem o frio, a neve e a dificuldade para compreender o idioma local.
Segundo ele, a conexão com o Brasil permaneceu viva mesmo após a adoção internacional. Durante férias no país, o cantor tem participado de palestras e rodas de conversa para compartilhar sua trajetória e incentivar debates sobre os direitos das crianças.
Ao recordar a infância, Carlos relata dificuldades vividas antes da adoção e no período em que esteve institucionalizado. Ele afirma que decidiu investigar suas origens há cerca de dez anos, motivado pelo desejo de compreender sua própria história.
Os pais adotivos, segundo ele, sempre apoiaram a busca pelas raízes brasileiras. Ainda criança, a comunicação entre a família dependia até mesmo de um dicionário devido à barreira do idioma.
Adoção internacional
A adoção internacional no Brasil é regulamentada pela Convenção de Haia e pelo Decreto nº 3.174, de 1999. O processo prevê que todas as decisões sejam tomadas priorizando o interesse da criança e a proteção dos direitos fundamentais.
No caso de Carlos, ele afirma que teve acesso aos direitos garantidos pela legislação holandesa, incluindo educação e acolhimento social. Apesar das dificuldades iniciais de adaptação, conseguiu construir carreira profissional e também ingressou na polícia.
Descoberta das origens
A identificação com o Brasil se intensificou durante a Copa do Mundo de 1998, quando comemorou a vitória da seleção brasileira na semifinal. O interesse pela cultura brasileira aumentou nos anos seguintes.
Mais tarde, durante a gravidez da então namorada, Carlos passou a questionar a própria identidade e decidiu procurar ajuda para localizar a família biológica. Um programa de televisão holandês auxiliou na busca, que levou à localização da mãe e de outros 16 irmãos no Brasil.
O pai biológico já havia falecido. A mãe, Maria de Fátima, estava presa na época em que foi encontrada. Carlos afirma que ela não conseguiu exercer plenamente a maternidade devido ao período de encarceramento.
O reencontro com a família trouxe um forte impacto emocional. Segundo ele, a experiência o aproximou ainda mais da realidade de crianças em situação de vulnerabilidade social.
Atualmente, Carlos participa voluntariamente de iniciativas ligadas à adoção e ao apadrinhamento afetivo, modelo que permite a criação de vínculos entre famílias e crianças acolhidas em instituições.
Objetivo social
O cantor defende que mais famílias brasileiras considerem a adoção para evitar que crianças precisem deixar o país. Ele afirma conhecer brasileiros adotados na Europa que sentem saudade das origens, embora evitem falar sobre o assunto.
Para Carlos, oferecer uma infância segura e acolhedora é essencial para ampliar oportunidades de vida. Entre os planos pessoais, está o desejo de morar novamente no Brasil e apresentar ao país a filha Viena, de 13 anos.
Mesmo reconhecendo o apoio e o carinho recebidos da família adotiva, ele afirma que a busca pelas raízes brasileiras continua sendo parte importante de sua identidade.
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