Uma operação conjunta entre a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) resultou na apreensão de 488 frascos de tirzepatida — substância do medicamento Mounjaro — na manhã desta segunda-feira (4), em Várzea Grande. O produto, altamente cobiçado para tratamentos de emagrecimento, estava escondido de forma inusitada dentro do pneu reserva de um veículo em Mato Grosso.
A abordagem ocorreu na Avenida 31 de Março, após os setores de inteligência identificarem um veículo suspeito que vinha da região de fronteira com destino à Baixada Cuiabana.
Estratégia de Camuflagem
Durante a fiscalização realizada por equipes do 10º Batalhão da PM, nada de ilícito foi encontrado na cabine do carro. No entanto, o nervosismo do casal e uma inconsistência visual no estepe chamaram a atenção dos militares. O pneu não correspondia ao modelo original do veículo e apresentava um peso desproporcional.
Ao ser questionado, o condutor confessou que o pneu estava “recheado” com medicamentos. Ao todo, foram contabilizados 488 frascos, gerando um prejuízo estimado de R$ 300 mil ao esquema criminoso. Os suspeitos revelaram que adquiriram a carga em Coxim (MS) e pretendiam revendê-la em Cuiabá.
Riscos à Saúde e Crime Federal
O Mounjaro (tirzepatida) é indicado para o tratamento de diabetes tipo 2, mas tem sido amplamente utilizado de forma “off-label” para perda de peso. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que a comercialização de medicamentos sem registro ou de procedência duvidosa é crime federal.
Os principais perigos do mercado ilegal de medicamentos incluem:
- Falta de Controle Térmico: Medicamentos biológicos como a tirzepatida exigem refrigeração rigorosa, o que é impossível dentro de um pneu;
- Procedência Incerta: Risco de substâncias adulteradas ou placebos;
- Efeitos Adversos: O uso sem acompanhamento médico pode causar complicações gastrointestinais graves e outros riscos metabólicos.
Investigação na Polícia Federal
Por se tratar de crime de contrabando e descaminho (Artigo 334-A do Código Penal), o casal e o material apreendido foram encaminhados à sede da Polícia Federal em Cuiabá. As autoridades agora buscam identificar quem seriam os receptores finais dessa carga na capital e se existe uma rede organizada de farmácias ou revendedores clandestinos envolvidos no esquema.
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