A Prefeitura de Sinop oficializou, nesta segunda-feira (29 de junho de 2026), a entrega técnica da Casa de Acolhimento para Mulheres e Famílias em Situação de Violência.
O projeto foi apresentado formalmente às mais de 30 instituições que compõem a Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do município.
Por razões rigorosas de segurança e proteção à integridade física das assistidas e de seus filhos, a residência está instalada em um endereço mantido sob estrito sigilo.
O novo equipamento público preenche uma lacuna histórica na assistência social de Sinop. A unidade oferece moradia temporária, suporte jurídico de retaguarda, além de atendimentos psicológicos e de assistência social para que as vítimas consigam romper o ciclo de abusos e reorganizar suas trajetórias de vida.
Plantão integrado e fluxo de acolhimento imediato em Sinop
O gerenciamento técnico da unidade será executado de forma descentralizada. As rotinas e triagens ficam a cargo das equipes especializadas do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), enquanto a manutenção e o atendimento humanizado cotidiano contam com a co-gestão do Instituto Renovada, entidade atuante em Sinop desde 2016.
A coordenadora do CREAS, Lindiely Melo, detalhou que o fluxo de salvaguarda funcionará em regime de plantão contínuo, cobrindo inclusive períodos noturnos, fins de semana e feriados:
“Se for em horário noturno ou fora do expediente, essa mulher vem de imediato para a casa de acolhimento. No próximo dia útil, a equipe técnica do CREAS inicia o atendimento com psicóloga, assistente social e atendimento jurídico. Ela permanece na casa pelo tempo que for necessário, conforme a avaliação de cada caso. É um local sigiloso porque essas mulheres precisam ser protegidas. Inclusive, de tempos em tempos, é recomendado que esse espaço seja realocado dentro do município, em novo endereço, justamente para garantir essa segurança.”
União dos Poderes contra a vulnerabilidade
A implantação da casa foi classificada por autoridades jurídicas e policiais como a peça fundamental que faltava para consolidar as garantias da Lei Maria da Penha no norte do Estado. Anteriormente, o município dependia de vagas sazonais e provisórias em hotéis para abrigar vítimas em situação de risco iminente de morte ou agressão.
A juíza da Vara de Violência Doméstica e Familiar de Sinop, Rosângela Zacarkim, e a delegada titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Renata Evangelista, endossaram o ganho operacional da nova estrutura:
“Hoje é um dia de vitória. A casa de acolhimento era a peça que faltava nesse grande tabuleiro da rede de enfrentamento. Muitas mulheres chegavam vulneráveis, com seus filhos, sem ter para onde ir. Hoje encontramos uma estrutura que superou as expectativas”, comemorou a magistrada Rosângela Zacarkim.
“Sempre tivemos essa demanda de para onde encaminhar essa mulher após o atendimento policial. Agora temos um serviço institucionalizado, integrado à rede, que permitirá oferecer acompanhamento psicológico e social para que essa mulher consiga romper o ciclo da violência. É a realização de um sonho”, completou a delegada Renata Evangelista.
Compromisso da gestão com a dignidade social
A secretária municipal de Assistência Social, Sinéia Abreu, reforçou que a entrega consolida um esforço conjunto provocado pelo prefeito Roberto Dorner e pelo vice Paulinho. “A mulher não pode se sentir sozinha. Ela precisa denunciar, e nós estamos aqui para protegê-la”, asseverou a gestora.
O pastor Herleans Martins, presidente do Instituto Renovada, acrescentou que o ambiente foi preparado para atuar na reabilitação emocional das abrigadas. “Estaremos com braços estendidos para acolher essas mulheres que chegam aqui frustradas, decepcionadas, abatidas, feridas na alma. Teremos psicólogos e gente para acolher e dizer que elas são amadas”, garantiu.
O projeto conta ainda com a articulação direta da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres, liderada pela Professora Branca, da Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores (representada por Jaqueline Juelg) e do Conselho Municipal da Mulher, presidido por Janethe Barreto.
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