Jovem de Sorriso representa Mato Grosso em Fórum Nacional de Saúde Mental em Brasília

Acompanhado por profissionais do CAPSi Integrar, Geraldo Xavier apresentou relato de experiência no Ministério da Saúde defendendo o fim de estigmas e o diálogo nas escolas.

O jovem de Sorriso, Geraldo Augusto Stahlschmidt Xavier representou o estado de Mato Grosso em uma das mesas-redondas do Fórum Nacional de Saúde Mental de Crianças e Adolescentes, realizado nesta segunda-feira (30 de junho de 2026), na capital federal. O debate reuniu usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), gestores e especialistas com o objetivo de formular diretrizes integradas para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) brasileira.

Geraldo viajou a Brasília acompanhado pela coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) Integrar de Sorriso, Luciana Azevedo, e pela enfermeira da unidade, Lígia Souza Leite. Em seu pronunciamento, o adolescente destacou que o acesso ao tratamento qualificado na rede municipal foi o divisor de águas para seu desenvolvimento e cobrou uma mobilização social contra o preconceito:

“Vejo que ainda há um grande tabu a ser quebrado em relação à saúde mental e precisamos falar sobre o assunto; quebrar esse tabu é uma grande missão.”

Para a coordenadora Luciana Azevedo, o protagonismo juvenil é o alicerce mais legítimo para a formatação de orçamentos e programas governamentais eficientes: “Para nós da equipe, o Geraldo é símbolo de superação. Esse entusiasmo com que ele fala, conta sua experiência e defende a importância desse debate é maravilhoso. Políticas públicas se constroem ouvindo pessoas, e nada mais justo e correto do que ouvir dos adolescentes e crianças quais as necessidades deles”, pontuou.

A voz dos usuários nas diretrizes do Ministério da Saúde

O encontro de escuta nacional é promovido pelo Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, órgão subordinado à Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES) do Ministério da Saúde. A plenária unificou os relatos de pacientes da rede pública às pesquisas científicas conduzidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e às demandas de movimentos sociais de defesa dos direitos humanos.

Durante as rodadas de conversa, as crianças e adolescentes de diferentes regiões do país elencaram as cinco principais prioridades para a modernização do acolhimento psicossocial no SUS:

  1. Desmistificação Institucional: Ampliação de campanhas institucionais sobre o papel e a porta aberta dos CAPS, desconstruindo a visão asilar;

  2. Saúde Mental na Escola: Criação de canais de diálogo contínuo dentro do ambiente escolar e nos núcleos familiares;

  3. Redução de Danos e Estigmas: Combate ativo ao preconceito contra pessoas em sofrimento psíquico ou sofrimento decorrente do uso de substâncias;

  4. Espaços Terapêuticos Criativos: Fortalecimento das unidades com salas voltadas à arteterapia, música e livre expressão cultural;

  5. Comunicação Digital: Uso de mídias e conteúdos digitais interativos para consultas públicas e disseminação de informações de saúde.

Compromisso de expansão da rede de Sorriso

O coordenador-geral de Redes e Serviços de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Vinícius Vieira, assegurou que as sugestões apresentadas pelas comitivas municipais e estaduais serão anexadas ao relatório final de metas da pasta.

“É muito significativo para nós escutar cada um de vocês. Tudo o que trouxeram aqui nos ajuda a entender melhor o que precisa avançar no cuidado em saúde mental de crianças e adolescentes em todo o país”, concluiu.

Com o encerramento do fórum, a equipe do CAPSi Integrar de Sorriso retorna a Mato Grosso com o desafio de aplicar as experiências compartilhadas pelas outras capitais, adaptando os fluxos locais para garantir um atendimento cada vez mais humanizado e territorializado na região norte do estado.

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