A Prefeitura de Cuiabá avançou na formatação jurídica e metodológica do Plano Municipal de Agricultura Familiar (PMAF). No último sábado (27 de junho de 2026), equipes técnicas e lideranças do campo participaram da terceira oficina participativa do projeto, realizada na histórica região do Coxipó do Ouro.
O objetivo central é mapear o cenário rural da capital para criar metas governamentais que combatam a vulnerabilidade social e freiem o êxodo rural.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Agricultura, executada em parceria direta com a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer).
O encontro reuniu pequenos produtores de nove localidades estratégicas: Sede Distrital, Arraial de Freitas, Recanto Tranquilo, Ponte de Ferro, Rio dos Médicos, São Jerônimo, Vale das Trilhas, Rio dos Peixes e Ribeirão Cascalheira.
Metodologia regionalizada e as carências da terra
Para garantir precisão no diagnóstico e respeitar as particularidades de cada ecossistema produtivo, a Secretaria dividiu a zona rural de Cuiabá em seis grandes regiões, cada uma englobando de 8 a 15 comunidades. O coordenador do PMAF, Osvaldo dos Santos Lara, pontuou que esse formato descentralizado permite desenhar soluções sob medida para gargalos crônicos, como a escassez de água para irrigação nos períodos de estiagem e a insegurança jurídica das propriedades rurais.
Durante os debates, o secretário municipal de Agricultura, Vicente Falcão, defendeu que o PMAF funcionará como uma lei norteadora de investimentos de longo prazo:
“A elaboração do PMAF visa mapear o cenário rural e direcionar ações governamentais para fortalecer o setor, combater a pobreza e evitar o êxodo rural. Na prática, ele garantirá aos produtores melhorias estruturais, acesso à capacitação, assistência técnica continuada e fomento à comercialização.”
Raio-x da diversidade produtiva do Coxipó do Ouro, em Cuiabá
A oficina evidenciou o potencial de abastecimento alimentar da região, que se destaca pela pluralidade de culturas e arranjos produtivos locais:
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Vale das Trilhas: Polo de mandiocultura, piscicultura de água doce, avicultura de postura (ovos) e produção de queijos artesanais. A principal demanda é o patrolamento e cascalhamento das estradas vicinais de escoamento;
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Arraial de Freitas: Forte atuação na fruticultura, olericultura (hortaliças), bacia leiteira, suinocultura e doces caseiros. Os moradores reivindicam a criação de boxes de venda e uma feira livre permanente;
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São Jerônimo: Produção diversificada com foco na bananicultura, mel de abelha, piscicultura, derivados de carne suína e extração de azeite de mamona;
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Recanto Tranquilo: Predominância em pequenos animais (aves caipiras, patos e suínos) associada ao cultivo de hortas comunitárias.
Agroindústria, compras públicas e turismo integrado
Representando o terceiro setor, o presidente da Associação de Moradores do Rio dos Peixes, Felipe José da Silva Oliveira, apresentou uma proposta de desenvolvimento focada na verticalização da produção por meio de pequenas agroindústrias de beneficiamento e de uma central de comercialização unificada.
Felipe sugeriu a integração do cinturão verde cuiabano ao forte potencial de turismo ecológico do Coxipó do Ouro, aproveitando o fluxo de visitantes dos balneários e rios locais para aquecer a economia gastronômica e cultural da região. A expectativa dos produtores é que as diretrizes do PMAF facilitem o acesso facilitado a programas de compras institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), garantindo mercado fixo e geração de renda mensal nas propriedades familiares.
Próximas etapas do cronograma
A equipe de planejamento técnico da Prefeitura de Cuiabá informou que, após a consolidação dos dados do Coxipó do Ouro, o calendário de escuta social seguirá o cronograma fixado para as seguintes localidades:
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Região do Distrito da Guia
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Região do Distrito do Aguaçu
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Comunidades periurbanas do entorno da capital
Após a conclusão de todas as rodadas de consulta, os técnicos da pasta e da Empaer vão redigir a minuta final do texto base do plano. O documento passará por uma última Assembleia Geral de validação junto aos trabalhadores antes de ser encaminhado para sanção do executivo e publicação no Diário Oficial.
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