Mato Grosso registrou um sinal de alerta na saúde pública com a subida dos índices de maternidade precoce. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), o número de bebês nascidos de mães entre 12 e 17 anos saltou de 3.238, em 2024, para 3.415 em 2025, o que representa uma alta de 5,47%. O ritmo continua preocupante em 2026: apenas nos primeiros 44 dias deste ano, o estado já contabilizou 183 nascimentos nessa faixa etária.
Para especialistas como a médica Giovana Fortunato, professora da UFMT, esses números escondem riscos biológicos severos. Como o corpo da adolescente ainda está em fase de desenvolvimento e crescimento, ele acaba competindo por nutrientes com o feto, o que explica a alta incidência de anemia, hipertensão gestacional e infecções. O cenário é ainda mais crítico para meninas abaixo dos 15 anos, que apresentam maior vulnerabilidade a quadros graves de pré-eclâmpsia e eclâmpsia.
As consequências estendem-se diretamente aos recém-nascidos. Bebês de mães muito jovens têm chances significativamente maiores de nascerem prematuros ou com baixo peso (menos de 2,5 kg).
Esse fator contribui para uma estatística dolorosa: o risco de morte no primeiro ano de vida desses bebês pode ser até três vezes superior ao de filhos de mulheres adultas, devido à combinação de imaturidade biológica e, muitas vezes, um pré-natal deficitário.
Além do impacto clínico, a gravidez na adolescência funciona como um gatilho para a exclusão social. A evasão escolar é quase uma regra, interrompendo sonhos e dificultando o acesso ao mercado de trabalho futuro. Para reverter esse quadro, o estado precisa de uma rede de apoio que integre saúde e educação, focando não apenas na oferta de métodos contraceptivos, mas no acolhimento de jovens em situação de pobreza e abandono familiar.
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