O polêmico projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que deveria interligar Cuiabá e Várzea Grande, está prestes a ter seu último capítulo escrito, mas longe das estações de passageiros. O governo de Mato Grosso oficializou a abertura de um edital de leilão público para se desfazer de toneladas de materiais, peças técnicas e equipamentos que envelheceram nos depósitos.
A iniciativa representa o desmonte definitivo de um dos modais mais caros da história do estado, cuja estrutura principal nunca chegou a operar. O certame promete atrair compradores interessados tanto em maquinários de alta tecnologia que permaneceram lacrados quanto em lotes de materiais pesados destinados à reciclagem industrial.
De acordo com os relatórios de infraestrutura e gestão pública acompanhados pelo CenárioMT, a venda marca a transição definitiva do modelo de transporte de massa da Região Metropolitana para o sistema de corredores de ônibus rápidos.
O que está à venda: De componentes lacrados a quilômetros de trilhos
O inventário do leilão estadual impressiona pela diversidade de itens listados. O catálogo inclui desde semáforos ferroviários específicos, dispositivos eletrônicos de controle e estruturas de drenagem até computadores obsoletos e equipamentos de proteção individual que perderam a validade comercial devido ao tempo de armazenamento.
O lote de maior valor financeiro do edital concentra dispositivos tecnológicos ferroviários avaliados inicialmente em R$ 1,14 milhão. Por outro lado, chama a atenção o lote que engloba cerca de cinco mil metros de trilhos metálicos que já haviam sido instalados e concretados nas vias públicas, precificados em apenas R$ 18 mil.
O certame está agendado para o dia 15 de junho, ocorrendo de forma híbrida (presencial e online). Os arrematantes dos lotes fixados nas avenidas terão uma responsabilidade extra: o edital prevê que os custos e a logística de desmonte, quebra do concreto e retirada do aço das vias urbanas correm totalmente por conta do comprador.
Destinos opostos: Enquanto a Bahia acelera, Mato Grosso aguarda o BRT
Apesar do fracasso do modal em solo mato-grossense, os vagões que faziam parte da frota original conseguiram um novo destino. Vendidos ao governo da Bahia pelo montante de R$ 793,7 milhões, os trens de Cuiabá passaram por um amplo processo de revitalização, reconfiguração técnica e repintura, com previsão de iniciar a operação comercial em Salvador ainda em 2026.
Em Mato Grosso, a alternativa escolhida para substituir os trilhos foi a implantação do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT). As obras para a pavimentação das pistas exclusivas e readequação das calçadas seguem em andamento nas principais avenidas de Cuiabá e Várzea Grande.
A expectativa da população metropolitana agora se volta para a conclusão dos novos corredores viários. A transição do VLT para o BRT encerra um longo período de incertezas jurídicas, restando aos moradores aguardar que o novo sistema de transporte ofereça a fluidez e a eficiência prometidas há mais de doze anos.
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