Operação Partilha: Polícia Civil cumpre mandados em MT e PA contra grupo que furtou R$ 350 mil de fazenda em Confresa

Polícia Civil cumpre nove mandados em MT e no Pará para aprofundar investigação sobre furto qualificado em propriedade rural.

A desarticulação de associações criminosas especializadas em infrações patrimoniais contra ativos do agronegócio, o cumprimento de ordens judiciais em ambiente interestadual e a aplicação de técnicas avançadas de extração de dados telemáticos pautaram uma grande ofensiva policial na manhã desta terça-feira (30 de junho). A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Partilha, com o objetivo de cumprir nove mandados judiciais contra uma organização responsável por um milionário furto qualificado em uma propriedade rural de Confresa.

As ordens de busca, apreensão e quebra de sigilo mobilizaram equipes investigativas em cinco municípios mato-grossenses e avançaram até o estado vizinho do Pará.

Derf de Confresa rastreia bando que levou armas, joias e dinheiro de propriedade rural

O inquérito policial, presidido pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Confresa, apura a invasão e a subtração de aproximadamente R$ 350 mil em dinheiro em espécie, cinco armas de fogo de diferentes calibres, joias de alto valor e outros bens de luxo. Os alvos das medidas cautelares são três investigados apontados como os mentores e executores do crime, que possuíam papéis rigidamente desenhados na engrenagem delitiva.

As ordens expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Barra do Garças estão sendo executadas simultaneamente nas cidades de Confresa, Sinop, Peixoto de Azevedo, Porto dos Gaúchos e no distrito de Santo Antônio do Fontoura (em São José do Xingu), além do município de Novo Progresso, no Pará. As equipes de campo contam com a prerrogativa da busca e apreensão na modalidade itinerante para localizar esconderijos de armas, cofres rurais e ativos financeiros móveis.

Lista manuscrita revela como criminosos dividiram produto do crime após o furto

A cronologia do crime remonta à madrugada de 23 de setembro de 2024, data em que os suspeitos invadiram a sede da fazenda, arrombaram os cofres internos e recolheram os bens. Desde o início das diligências de campo, a precisão cirúrgica do ataque indicou que os criminosos operavam sob o manto de informações privilegiadas sobre a rotina dos proprietários e a exata localização dos valores guardados no imóvel.

A delegada titular da Derf de Confresa, Karen Amaral Makrakis, revelou que as investigações avançaram substancialmente após a apreensão técnica de um smartphone, onde os agentes localizaram arquivos de áudio, diálogos de texto e fotos de uma das armas subtraídas. O achado mais contundente foi um registro manuscrito feito pelos próprios suspeitos detalhando a divisão de tarefas e a repartição exata dos lucros ilícitos. A hierarquia do bando funcionava com base nos seguintes eixos:

  • Informante Interno: Responsável por mapear a rotina da fazenda e apontar os segredos e senhas dos cofres;
  • Executor de Campo: Responsável pela invasão física da moradia e rompimento dos obstáculos estruturais;
  • Operador Logístico: Responsável pela guarda, ocultação e posterior comercialização clandestina das armas e joias.

Nome da operação faz alusão a documento manuscrito achado com os suspeitos

Segundo o colegiado da Polícia Civil, o nome “Operação Partilha” foi escolhido justamente como alusão ao documento manuscrito onde os investigados esquematizaram a divisão do patrimônio alheio. O foco das buscas desta terça-feira concentra-se na apreensão de computadores, tablets e celulares para mapear o fluxo de lavagem de dinheiro e rastrear possíveis receptadores das armas de fogo levadas da fazenda.

O crime de furto qualificado, capitulado no artigo 155 do Código Penal Brasileiro, comina penas de reclusão de dois a oito anos quando praticado com abuso de confiança, concurso de pessoas ou destruição de barreiras. Os materiais eletrônicos apreendidos serão submetidos à perícia forense digital, e os investigados responderão pelos crimes de furto e associação criminosa perante o Poder Judiciário em Mato Grosso.

Reportagem baseada nos relatórios informativos da Derf de Confresa, mandados de busca do Núcleo de Justiça 4.0 de Barra do Garças e autos de apreensão da Polícia Civil de Mato Grosso.

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