Bebê de 10 dias engasga com leite materno e é salvo com orientações dos Bombeiros por telefone em Água Boa

Bebê de 10 dias recebeu atendimento após engasgar durante a amamentação e foi levado ao hospital para avaliação médica.

A aplicação imediata de protocolos de teleatendimento para regulação de urgências, a execução de manobras de desobstrução de vias aéreas em lactentes e o monitoramento clínico contra o risco de pneumonia química pautaram um salvamento bem-sucedido na região do Araguaia. Um recém-nascido de apenas 10 dias de vida foi socorrido por equipes do Corpo de Bombeiros Militar na manhã de segunda-feira (29 de junho), após sofrer um quadro severo de engasgamento com leite materno durante a amamentação, no município de Água Boa.

A agilidade da mãe ao acionar o telefone de emergência 193 e a precisão das instruções repassadas pelo rádio-operador do comando foram determinantes para preservar a vida do bebê.

Mãe recebe orientações por telefone enquanto bombeiros deslocam-se ao Cristalino II

Os relatórios operacionais do 2º Pelotão Independente Bombeiro Militar (2º PIBM) apontam que a chamada de socorro foi captada pela central por volta das 7h. A mãe, em estado de extrema aflição, relatou que o filho recém-nascido manifestava tosse intensa, bloqueio respiratório completo e episódios de vômito com eliminação do leite ingerido minutos antes. Reconhecendo a gravidade e o risco iminente de asfixia, o militar plantonista iniciou o protocolo de primeiros socorros em tempo real.

Enquanto uma viatura de resgate com sirenes abertas deslocava-se em direção à residência da família, localizada no bairro Cristalino II, o bombeiro orientou detalhadamente a genitora sobre a execução da Manobra de Heimlich adaptada para recém-nascidos (tapotagem). O procedimento consiste em posicionar o bebê de bruços sobre o antebraço, com a cabeça ligeiramente mais baixa que o tronco, e aplicar leves batidas na região dorsal para forçar a expulsão do líquido retido na laringe.

Militares removem secreções e estabilizam respiração de recém-nascido engasgado

Ao desembarcarem no endereço, os militares da unidade de resgate encontraram o lactente consciente no colo da mãe. Embora os estímulos por telefone tivessem evitado uma parada respiratória, a criança ainda apresentava um padrão ventilatório ruidoso e superficial, além de visíveis resíduos de leite acumulados na cavidade oral e nas fossas nasais.

A equipe técnica assumiu o atendimento executando a aspiração mecânica e a limpeza das vias aéreas superiores, removendo o excesso de secreções e posicionando o recém-nascido de forma anatômica. A intervenção permitiu uma melhora gradual e a estabilização dos sinais vitais do bebê ainda no interior do domicílio.

Os principais cuidados de segurança e as diretrizes de saúde pública em quadros de engasgo em lactentes foram estruturados nos eixos abaixo:

  • Canais de Emergência: Acionamento imediato do Corpo de Bombeiros (193) ou do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (192);
  • Procedimento Telefônico: Manter a calma e reproduzir estritamente as manobras ditadas pelos especialistas da central;
  • Condutas Proibidas: Nunca ofertar líquidos ao bebê engasgado ou tentar pinçar objetos às cegas no interior da boca da criança;
  • Encaminhamento Clínico: Obrigatoriedade de transporte a uma unidade hospitalar devido ao risco silencioso de broncoaspiração.

Bebê é internado em Hospital Regional com suspeita de broncoaspiração

Após os procedimentos de estabilização térmica e respiratória, o recém-nascido e a mãe foram acomodados na viatura e transportados sob monitoramento contínuo até o Hospital Regional de Água Boa. O encaminhamento médico foi adotado devido à forte suspeita de broncoaspiração — evento clínico que ocorre quando o leite materno ou o suco gástrico ultrapassa a glote e invade a árvore traqueobrônquica, alcançando os pulmões.

De acordo com as notas técnicas emitidas pelo Ministério da Saúde, a presença de substâncias líquidas ou sólidas no trato respiratório inferior pode deflagrar quadros inflamatórios agudos e infecções pulmonares bacterianas secundárias (pneumonia por aspiração). Por essa razão, o 2º PIBM reforça que, mesmo quando os pais obtêm sucesso na desobstrução caseira das vias aéreas, a avaliação por médicos pediatras na rede hospitalar permanece indispensável para garantir a plena recuperação em Mato Grosso.

Reportagem baseada nos diários de atendimento de emergência do 2º Pelotão Independente do CBMMT de Água Boa, prontuários de triagem hospitalar e manuais de primeiros socorros pediátricos do Ministério da Saúde.

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