Assembleia Legislativa recebe pacote com seis projetos de lei para reformular Código Ambiental de Mato Grosso

Propostas protocoladas na Semana do Meio Ambiente cobram audiências públicas obrigatórias para comunidades tradicionais, restrições a carretas em estradas-parque e barreira sanitária para proteger fauna silvestre.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) iniciou a tramitação de um pacote robusto contendo seis propostas legislativas desenhadas para atualizar o Código Ambiental do Estado e criar salvaguardas jurídicas diante da crise climática.

O conjunto de projetos de lei, protocolado estrategicamente durante as ações da Semana do Meio Ambiente, mexe em regras que vão desde o rito de concessão de licenças para grandes obras até a proibição do uso de rodovias ecológicas como corredores logísticos de escoamento de safra.

A meta dos textos é adequar a Política Estadual do Meio Ambiente aos biomas locais — Cerrado, Pantanal e Amazônia —, blindando o território contra os efeitos de secas severas, incêndios florestais e o avanço desordenado de infraestruturas de alto impacto.

Uma das matérias de maior impacto político altera as regras da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) para a liberação de grandes empreendimentos, como hidrelétricas, hidrovias e complexos agroindustriais. O projeto institui a obrigatoriedade de audiências públicas descentralizadas nos municípios afetados.

O texto traz exigências inéditas para garantir o direito de voz a populações historicamente vulneráveis:

  • Acessibilidade Geográfica: As reuniões consultivas deverão ocorrer em locais de fácil acesso físico para os moradores diretamente impactados;

  • Sessões Múltiplas: Fica autorizada a realização de mais de um encontro caso a área de impacto ambiental abranja diferentes territórios;

  • Canais Específicos: Criação de protocolos de consulta prévia voltados a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e pantaneiros.

Fim do tráfego pesado em Estradas-Parque e barreira sanitária

Para conter a degradação de rotas cênicas e turísticas, o pacote legislativo veda a utilização das chamadas estradas-parque como atalhos para frotas de transporte logístico pesado e intensivo (como bitrens de grãos ou carretas de minério). A proposta determina que essas vias recebam exclusivamente projetos de baixo impacto, priorizando a observação de aves, a pesquisa científica, a instalação de mirantes e a capacitação de guias de turismo locais.

No campo da biodiversidade, o pacote cria um programa de vacinação obrigatória e assistida de animais domésticos (cães e gatos) em propriedades rurais vizinhas a Unidades de Conservação e terras indígenas. A medida funciona como um cinturão sanitário, reduzindo o contágio de zoonoses urbanas para felinos, canídeos e primatas da fauna silvestre nativa.

Paralelamente, outra proposta cria a Rede de Resgate Emergencial de Fauna, obrigando o Estado a manter equipes permanentes, clínicas veterinárias de campanha e centros de reabilitação preparados para atuar de forma imediata no salvamento de animais vítimas de queimadas ou desidratação em períodos de estiagem extrema.

Educação nas escolas e Audiência Pública em 25 de junho

Na base educacional, as medidas determinam a inclusão da disciplina de Educação Ambiental de forma contínua e transversal na grade curricular de todas as escolas da rede estadual de ensino. O conteúdo programático deverá abordar, de forma prática, o combate a incêndios criminosos, o manejo de resíduos sólidos urbanos e a conservação das bacias hidrográficas mato-grossenses.

Para debater o teor de todas as alterações sugeridas e coletar emendas de entidades do agronegócio, ONGs ambientais e cientistas, a comissão parlamentar agendou uma audiência pública geral para o dia 25 de junho de 2026, às 9h, no Plenário Deputado René Barbour, na sede da Assembleia Legislativa em Cuiabá.

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